Mariana Conti

Mariana Conti

Vereadora - Câmara Municipal de Campinas

Últimos Discursos

14 de abr, 18:12

COMISSÃO DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO

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Foi muito boa essa audiência, foi uma audiência muito rica, com muitos debates, tiveram muitas perguntas, né, a gente também está num processo de elaboração, como a Maria Maiano também disse, nós estamos num processo de elaboração do que seria o SINACH, mas eu só queria comentar porque o Luiz Henrique Leão falou, usou uma palavra que me chamou a atenção, que ele fala que existe uma tragédia sanitária. O processo de adoecimento no Brasil relacionado ao trabalho é uma tragédia sanitária. E nós vemos que é um modelo, um modelo da superexploração do trabalho, que se aprofunda a cada dia, com reforma trabalhista, reforma da previdência, pejotização, plataformização, isso vai gerando um adoecimento sistêmico. Então, eu acho que o que nós estamos elaborando é que existe um adoecimento sistêmico, que é do neoliberalismo, que é uma ideologia, uma política econômica, uma técnica, enfim, mas que é um problema global e sistêmico, e esse problema sistêmico precisa de resposta sistêmica. É claro que o Sinarche não vai responder a tudo, muito pelo contrário, mas eu acho que o Sinarche traz duas coisas, traz um tema, a questão da visibilidade das questões, porque em grande medida essas coisas estão... digamos assim, naturalizadas, e muitas estão, a gente não tem acesso, e tem um elemento que hoje já existe um corpo, um acúmulo muito grande de profissionais, de pessoas que, um acúmulo acadêmico, um acúmulo técnico, de pessoas que lidam com a saúde do trabalhador, que tem uma trajetória, tem uma tradição. Então, eu acho que é nosso desafio aí organizar isso, né, com relação a isso. E é claro, não tenho dúvidas que na medida em que exige um projeto de comum todo, nós vamos precisar dar respostas enquanto classe trabalhadora, enquanto nós que vivemos do nosso trabalho, para que a gente possa articular as diversas categorias, essa diversidade do mundo do trabalho, mas que a gente possa dar respostas enquanto classe, que as diferenças são muitas, nós temos muitas diferenças e elas são importantes, mas existe algo que nos unifica, que é o fato que nós vivemos do nosso trabalho, Então, é nesse sentido que eu acho que é muito importante a pauta do fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho, é um exemplo de como a força que tem, um aspecto universal que organiza e como pode pautar a política. nesse processo, agradecer a todo mundo que participou, agradecer as nossas parceiras do Instituto Walter Lezer e todo mundo que abraçou essa proposta e vamos construir uma proposta importante para a defesa da saúde do trabalhador. Obrigada.

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14 de abr, 16:50

COMISSÃO DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO

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Ard... Vocês me ouvem? Estão... Oi, vocês me ouvem? Sim, sim, pode seguir, Mari. Tá bom. Bom, boa tarde para todo mundo. eu quero em primeiro lugar cumprimentar e agradecer a deputada Samia Bonfim que abraçou a proposta da realização da audiência, para trazer essa audiência tão importante, para trazer esse tema sobre o SINASH, para trazer, para a gente avançar nesse tema da debate, dessa... de um futuro projeto de lei, queremos que isso venha, se configure num projeto de lei desse Sistema Nacional de Saúde do Trabalhador. Quero cumprimentar a Maria Maena, nossa parceira, do Instituto Valter Lezer, da Fundacentro. E na pessoa das duas eu cumprimento todas as pessoas que estão aí presentes, as pessoas da mesa, os representantes. que estão contribuindo para o debate, todas as pessoas que estão nos assistindo. Eu sou vereadora em Campinas, e nós criamos aqui em Campinas a Frente Parlamentar de Combate às Violências Relacionadas ao Trabalho, em parceria com a Fundacentro, com o Instituto Valter Lezer, com os sindicatos, com vários movimentos sociais. E nós temos lidado com essas questões, né? A gente fala que aqui em Campinas a gente está tentando construir um laboratório do que seria esse sistema nacional, com os limites do município, mas também experimentando algumas coisas. E o ponto de partida, e por isso acho tão importante essa proposta do Sinache, é de que todo mundo tem o direito ao trabalho que não adoeça. Isso parece tão básico e simples, mas a gente tem o processo de adoecimento, de morte relacionada ao trabalho muito naturalizado na nossa sociedade. Então, eu acho que é muito importante dizer que é uma luta política para que a gente tenha condições de que ninguém precisa morrer para trabalhar. é o primeiro passo, desnaturalizar esse adoecimento, e a morte relacionada ao trabalho. E acho que a Samia trouxe um assunto muito importante, porque agora está tramitando, começou, amanhã está marcada o início da tramitação do fim da escala 6x1 que é um avanço significativo, afinal essa é uma escala adoecedora, é uma escala adoecedora em massa e a gente fala muito sobre adoecimento psíquico e todo mundo que trabalha na escala 6x1 relata o quanto é uma escala adoecedora, e para mim a a pressão apesar de toda a campanha patronal apesar do de deputados que a Samia convive né deputados que tem manifestado contra o fim da escala 6 por 1 apesar de toda essa campanha ideológica que tem sido feita os pesquisas mostram mais de 70% da população defende o fim da escala 6 por 1 isso é um indício de que As pessoas, na realidade, quando a gente vai para o concreto da vida, as pessoas não aguentam mais trabalhar, porque o trabalho está tão precarizado e tão insuportável que a redução da jornada de trabalho se colocou novamente e pautou a política brasileira. Isso é muito significativo, né? A gente sabe que a redução, o fim da escala 6x1 não contempla uma redução... a gente queria uma redução ainda maior, mas o que está na pauta, as 40 horas semanais, ela também é significativa, porque a verdade é que as pessoas não aguentam mais tanto trabalhar, e aí é muito interessante que nessa campanha, a campanha que tem sido realizada é o direito à vida além do trabalho, e por isso é tão importante, as pessoas têm que ter direito de trabalhar para que elas, um trabalho digno, para que elas possam ter direito vida além do trabalho para que elas possam estudar se divertir descansar e na igreja fazer o que elas quiserem por isso é tão importante essa campanha, a tramitação do fim da escala 6x1, Eu vi uma notícia que o governo federal acabou com a escala 6x1 nos contratos terceirizados estabelecidos pelo governo federal, isso é muito importante, o trabalhador terceirizado, as trabalhadoras terceirizadas, porque a gente está falando de trabalhadoras negras, a maioria das trabalhadoras terceirizadas nesse país são mulheres negras e que têm uma condição de vida muito precária. apresentei um projeto para acabar com a escala 6x1 nos contratos terceirizados do executivo e do legislativo, porque o poder público tem que dar o exemplo, tem que tomar iniciativa, isso vai significar uma melhora significativa na vida das pessoas e coloca um novo paradigma. E nós estamos falando dessa questão, da necessidade de um sistema nacional, até porque a gente sabe que tem experiências muito interessantes com relação a doenças específicas, com relação a LER, com relação a uma série de lutas que foram travadas pelo movimento sindical, então quero que também concordar, valorizar muito o movimento sindical, que ao longo da sua história fez um processo muito importante de regulamentação, de conseguir direitos de categorias, mas nós estamos num momento do mundo do trabalho, que é um mundo do trabalho muito mais diverso e precarizado, da terceirização, pós-reforma da Previdência, Nós temos uma realidade de um mundo do trabalho que quanto mais dá margem, mais difícil a situação daquele trabalhador, quanto mais precário. Então, esse trabalhador está mais sujeito, e essa trabalhadora, sobretudo, está mais sujeita a adoecimento, está mais sujeito a adoecimento, ganha menos, tem uma vida mais precária, isso compromete todo o conjunto da sua vida, das relações familiares, das relações com os filhos, enfim, é um todo que compromete a vida daquela trabalhadora e daquele trabalhador e ela está cada vez mais longe e distante e mais difícil de acessar, mais difícil de acessar do ponto de vista da política pública, mais difícil de acessar do ponto de vista da quantificação, da identificação. Então, quanto mais a margem, mais difícil chegar a política pública que proteja essa trabalhadora e esse trabalhador. E, novamente, sexismo, de racismo. E essa, a Sâmia falou uma coisa que é muito importante, né, na fala da abertura, que eu tendo a concordar muito, essa questão do projeto de lei, que regulamenta, na verdade, oficializa o trabalho de plataforma como um não trabalho, porque não reconhece como um vínculo empregatício. a plataforma, e no momento que a gente sabe que a gente tem aí um grande lobby de big techs, que são setores poderosíssimos, que são setores que a grande maioria são externos ao país, são dominados, sobretudo, por empresas estadunidenses, que têm feito lobby para interferir politicamente, também na política nacional, para controle das nossas riquezas e controle e domínio dos nossos trabalhadores. Então, acho que é muito importante esse processo de mobilização que está acontecendo pelos trabalhadores motoristas, trabalhadores de aplicativo, e nós queremos, então, que essa audiência pública inaugura um debate para que a gente possa ter esse projeto de lei do SINACH como um sistema nacional, porque é um sistema nacional que possa também chegar na margem daquele trabalhador, que não necessariamente está representado num sindicato, porque não tem um sindicato consolidado de uma categoria, embora eu acho que temos que chamar os sindicatos, temos que estabelecer uma relação com os sindicatos, e nós temos experiências muito interessantes de organização, de mobilização de lutas sindicais, como por exemplo as trabalhadoras domésticas, que montaram um amplo processo de organização de uma categoria que também está na margem, mas conseguiu uma legislação, mas que a gente possa integrar tudo isso num sistema nacional, e que a gente possa garantir que as pessoas tenham trabalho digno, e que ninguém tem que morrer de trabalhar, ninguém tem que ficar doente de tanto trabalhar. Então é isso, parabéns Sâmia, parabéns todo mundo que está presente, parabéns ao Instituto Walter Lezer, o nosso desafio é que a gente consiga trazer a mobilização, as categorias, e esse conjunto de trabalhadores que estão na margem, porque é dessa forma que a gente vai enfrentar o lobby poderosíssimo das empresas, que a gente sabe que as empresas atuam politicamente para barrar qualquer direito dos trabalhadores. Contem comigo, não pude estar presente com vocês, mas estamos juntas nessa batalha. Obrigada.

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