Rosely Maria da Silva Pires

Rosely Maria da Silva Pires

Professora e militante feminista

Últimos Discursos

26 de nov, 11:13

PLENÁRIO

Transcrição automática

Cumprimento a mesa. No nome da nossa querida Jaque Rocha. A primeira mulher negra do Espírito Santo deputada federal. Cumprimento as pessoas presentes no nome da minha querida doutora Danúbia Galvão, pesquisadora do programa Furdan que criei, há 20 anos e que acolhe mulher às vítimas de violência na periferia de São Pedro. Temos hoje o índice de 0 feminicídio, 0 morte de mulheres na verdade, e o programa da universidade federal é programa experimental. Durante a covid 19, nós não perdemos nenhuma mulher, e nenhum familiar dessa mulher. Nenhuma foi entubada, nenhuma foi sequer internada. E aí nós provamos pra política pública, que é possível salvar vidas. Chego aqui hoje representando a minha ancestralidade. Sou a mulher negra, periférica, minha primeira imagem na memória é da minha avó Bárbara, com 5 anos, junto com minha mãe e minha avó Chica, já cuidava de mulheres porque eram benzedeiras faziam partos, e também empregadas doméstica. Aos 7 anos de idade eu ajudava a minha mãe fazer faxina nas casas das pessoas. E aí vocês perguntam, como 1 pessoa como eu, vira doutora em ciências jurídicas sociais e professora da universidade federal do Espírito Santo, referência no Brasil em alguns países no enfrentamento da violência e acolhimento a mulheres, por causa das redes de apoio. Como diz a música, né tentaram calar a nossa voz, mas esqueceram que nós nunca estamos estaremos sós. No mês da consciência negra, no ano em que nós temos pela primeira vez feriado, é importante lembrar, que já que cada de a cada 10 mulheres assassinadas, 7 são mulheres negras. A pergunta que fazem sempre ao Furdan, é se essas mulheres morrem porque os homens negros e de periferia matam mais. Não. É porque a periferia não tem rede de apoio fortalecido. Meu lugar aqui hoje é para solicitar, a esse espaço privilegiado e honrado a qual eu ocupo nesse momento, para que haja cuidado, para melhorar a verba das defensorias públicas, porque são elas que acolhem gratuitamente as mulheres negras e de periferia que não podem pagar advogado. Pra que dê 1 atenção especial aos jovens e adultos dentro do sistema de educação, porque as mulheres negras e de periferias não têm autonomia financeira para saírem dos seus lares, e elas precisam retornar para as escolas. Então é necessário fortalecer, esse espaço. Pra que fortaleçam as cotas na universidade. E principalmente, para que as políticas públicas da periferia sejam melhores tenham melhores atenção. Nenhuma mulher negra consegue largar o agressor, se não tiver 1 cesta básica até que chegue à sua pensão de alimento. Nenhuma mulher negra consegue largar o agressor, se não tiver aluguel social, porque a maioria delas moram ainda em espaço que é familiares deles.

Ir para evento