Telma Vinha

Telma Vinha

Professora - Universidade Estadual de Campinas - Unicamp

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27 de nov, 19:37

CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

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Obrigada, Marina. As suas questões são muito pertinentes e acho que dá pra gente discutir em pósgraduação, né, de tão complexas que são elas valem bilhão, né? Então eu queria fazer algumas considerações sobre isso, primeiro 1 ideia de que nos nossos estudos nós fomos aprendendo né porque a gente trabalhou com 10 escolas a gente viu que dava que não dava, que quando se tem alguns responsáveis pela convivência na escola, sei lá orientador ou mesmo vereador de conflito os outros se desobrigam e eles sempre encaminham E outras coisas que nós também aprendemos é que quando se dilui demais transversal é responsabilidade de ninguém ninguém faz nada. Então tem que ter equilíbrio primeiro a convivência de todos e algumas pessoas da escola elas fomentam essa convivência, mas tem que ter muito esse compromisso com a coletiva, melhoria da qualidade das relações, cuidar dos outros, a vida de todos. E ao mesmo tempo eu vou trazer alguns exemplos em como essa convivência ela pode também molhar né, se espalhar pra todo mundo. Outra coisa que a gente viu é que quando você faz projetos temáticos e às vezes tem materiais muito bons, mas eu repito, materiais não transforma a cultura de escola, tá? Mas você tem materiais muito bons, muito bem elaborados e às vezes quando chega projeto sobre racismo né, muito bom a escola trabalha muito bem a questão da educação antirracista, relações étnicoraciais, acontece que se você não tem ações articuladas e complementares, ele vai gerar por exemplo quando você desnaturaliza essas violências gera confronto e tem que gerar mesmo porque eram violências naturalizadas que deixaram de ser só que a escola não sabe como lidar então a gente sabe que só projetos e propostas são fora de currículo, de 1 transformação, de pensar junto nos conflitos que emergem, eles também têm pouco êxito porque eles acabam não transformando por isso que a gente diz ações complementares integradas que é o que eu vou tentar abordar rapidinho né? Indo na direção das suas questões 1 delas é a questão da formação tá? A gente não há ainda componentes de formação de base essas questões que são fundamentais, a gente tem dados que mostram que os professores eles utilizam grande parte do tema que a sala de aula lidando com isso, gestores com os conflitos mais mais de 19 por 100, ele é maior causa de dificuldade de funcionamento de 1 escola, acontece que isso não entra especificamente como componente na nossa educação de base, né? Ele entra muito transversal entre as várias disciplinas, e a gente defende muito a sensação desse componente. Na formação continuada ele tem aparecido mas eu queria retomar que, e a gente trabalha muito com formação, formação sem suporte nessa área é muito pouco eficaz. O que que é o suporte? Você forma ensinando como lida com bullying, protocolo antibullying chega lá o menino dá 1 resposta completamente diferente do que a formação ou protocolo te fala. Então por exemplo tinha menino que tomava água do vaso sanitário né durante o intervalo ele era vítima de bullying e quando a gestora foi sentar com ele foi lidar ele falava assim não eu tomo o que eu quero eu tomo o que eu gosto e ela não sabia mais o que fazer relação a isso. Quando teve de 1 assembleia dos estudantes para discutir seus conflitos eles disseram assim, quando vai parar essa porcaria não vai ter aula séria? Aí o professor já não sabe mais lidar então a formação tem que ter suporte, Por isso que no programa que a gente desenvolveu ele tem primeiro suporte entre pares, entre os próprios gestores, dizer como eles fazem, a partir do sei lá, mas você precisa pensar numa equipe de secretaria, mesmo numa equipe entre os próprios pares, fortalecer o apoio horizontal, que possam ajudar diante das dificuldades de implementação da formação porque senão a escola abandona, tá? Então além disso a gente defende que haja sim disciplina ou espaço sistematizados pra que essas questões sejam a convivência ética nessas questões sociais, a questão da elas sejam mesmo saiberbullying objetos de conhecimento, elas têm que ser pensadas mas não só objeto de conhecimento pra estudantes, mas pros profissionais da escola, funcionários, professoras. Então isso é fundamental que haja essas questões como objeto de conhecimento. Trago ainda que a gente nesse espaço de disciplinas né, que vai ser, ela não é como transmissão, é espaço de discussão, é espaço de problematização, e isso tem que entrar por exemplo a educação digital, né, trabalhar naquela perspectiva decolonial, mas ao mesmo tempo, indo avançando pouco na sua questão que ela é muito complexa, é que na na mudança de cultura de 1 escola, você pode ir formando a escola pra ir implantando implementando paulatinamente alguns procedimentos de cada escola, por exemplo, podese implementar porque pensar em estudante é ainda 1 visão reducionista a gente tem que pensar muito na mudança da escola como todo. Então exemplo, implementação de rodas de diálogo ou de assembleias com os estudantes de todas as turmas 15 dias a cada 20 dias para eles discutirem os problemas, as questões, as convivências e também pros professores. Implementar espaços de mediação de conflito pros conflitos que são de âmbito privado. Então, briguei com né, briguei com outro problema na internet, então isso não é no coletivo das assembleias. Por exemplo, o método de preocupação compartilhada é método em que você lida com violências ou com bullying quando ele está instaurado. Por exemplo, implementar equipes de ajuda que são, os adolescentes não pedem mais ajuda pros adultos né? Então são equipes de ajuda que a doutora Luciene Toneta ela tem cuidado muito desse trabalho no Brasil, ela são adolescentes eleito pelos pares que têm todo preparo em que eles ajudam em situação de conflito, em ajuda de sofrimento emocional, então é amparo entre os pares. Por exemplo, eu já estou encerrando rodas de diálogo aos círculos de paz que vêm das práticas restaurativas porque os nossos professores de ensino fundamental e ensino médio que trabalham 40 horas dão aula pra 20 turmas ele sequer sabe o nome dos alunos querer que eles escutem os alunos ele ainda é algo que não é possível porque nós temos que lutar por melhoria de condições de trabalho mas é possível se implementar círculos de as rodas de diálogo em que há momentos de escuta em que há momentos de que nós vamos nos apoiar né é possível por exemplo ter mapeamento das relações pra ver aqueles estudantes invisíveis né e poder cuidar. Então existe 1 série, eu só trouxe alguns procedimentos que podem vir sendo implementados paulatinamente e que passam a ser incorporados e passam parte da da do cotidiano da escola. Encerro dizendo né nas considerações finais que nada disso é possível assim, não é possível, mas a gente tem que caminhar junto com essa valorização do profissional docente e ao mesmo tempo com 1 formação e suporte pras equipes da secretaria de educação pra que elas possam fornecer auxílio nas escolas né quando tem 1 crise quando tem problema né e sem isso é muito difícil, não adianta só colocar pressão e dizer que tem que fazer, mas as escolas estão sendo paradas nesse desafio. Encerro dizendo que investir na construção de políticas públicas ele é fundamental e por isso que eu parabenizo muito vocês buscarem experiências e estarem propondo nesse sentido, mas cada vez mais por causa dos dados, dos inúmeros dados que a gente tem de aumento de sofrimento, de aumento de violência, precisam de políticas que priorizem o cuidado, que priorizem o pertencimento e o bemestar das pessoas na escola, e essas políticas têm que ajudar nessa ampliação das capacidades pra lidar né, com os conflitos, com as desigualdades. Então essa formação ética e democrática nas escolas isso não é tarefa fácil e a gente não pode fazer de qualquer jeito porque do contrário nós não vamos conseguir ter o ex do que a gente espera né muito obrigada.

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27 de nov, 19:28

CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

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Nós desenvolvemos inúmeros estudos com sobre o clima escolar, sobre a convivência escolar, e o clima escolar é o sentimento de bemestar daquela comunidade, sem relações de confiança, são relações de proteção. Então é quando eu me sinto por exemplo estudante, aluno, gestor né, eles se sentem funcionários é quando eu posso confiar no outro, posso me apoiar no outro, é quando eu eu a a expectativa que aquela escola vai fazer com que eu aprenda que eu tenho futuro. E o clima escolar, ele depende muito de processo de gestão que favoreça esse bemestar, processo de gestão que favoreça a participação dos integrantes da escola, né a participação a a escuta dos estudantes, né o diálogo, o apoio. Então assim existem vários estudos que relacionam não o gestor como aquele que vai ser o responsável pelo clima ou pela qualidade da convivência, mas aquele que vai gerar condições, que vai promover, que vai favorecer esse processo. Então, alguns estudos também demonstram que ambiente top down, decisões de cima pra baixo, ele gera nos educadores, os profissionais da educação e mesmo nos estudantes quando as regras são rígidas, são reimpostas, e muitas vezes isso vem da coordenação né da da da equipe gestora, ele gera muito mais não apenas violência, às vezes a violência não se manifesta na escola mas se manifesta fora porque é aquele ambiente de contenção, como também adoecimento mental, insatisfação no trabalho né, então ele demonstra claramente aumento das tensões dependendo de como a gestão ela organiza aquele trabalho aquele espaço então, existem inúmeras evidências de pesquisa nesse sentido do da do papel fundamental da equipe gestora nesse processo.

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27 de nov, 19:17

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Por favor, senhora Thelma. Eu obrigada. Inicialmente, eu acho que a a colocação com relação à articulação das redes de proteção e também da segurança pública, ele é algo que é fundamental. Nós desenvolvemos no mesmo grupo de pesquisa 1 estudo sobre os ataques que ocorreram por estudante e esse estudante ao longo desses anos. E nós tivemos desde 2040 e ataques né nesses 23 anos sendo 32 ativos. Desses 40 e 26 foram entre 2022 2024. Mas no ano de 2024 então houve aumento enorme mas no ano de 2024 nós tivemos apenas 4 não deveria ter nenhum claro a luta tem que ser frequente mas nós tivemos somente 4 Sendo que ele foi muito grave né que aconteceu agora em outubro, né que em que 4 mortos, 4 estudantes morreram, mas nós tivemos vários impedidos EEE esse trabalho só foi possível justamente por essa articulação, né? Essa articulação entre a segurança pública, o trabalho é é como se nós tivéssemos cada vez mais aprendido a lidar com esse tipo de violência então ou seja, o trabalho da segurança ele tem sido fundamental também nesse enfrentamento né tem sido fundamental pra lidar com essas violências. Acontece que nós precisamos assim ter cuidado no sentido do a eles a segurança pública ela é muito importante mas ela ela não pode os estudos têm mostrado que bem se os agentes de segurança estão dentro da escola por exemplo agentes armados dentro da escola eles dão 1 sensação de segurança inicialmente mas com o tempo eles apresentam efeitos deletérios. Então eles mostram por exemplo que pior o clima escolar, que a juventude fica pouco mais tensa né com relação à forma como eles se relacionam, alguns conflitos não aparecem então se perde 1 oportunidade de aprendizagem. Então é preciso que esse papel da segurança pública no sentido muito mais de apoio e de proteção à escola mas não dentro da escola né? Então é isso que os estudos têm demonstrado como esse como eles têm papel fundamental nesse sentido mesmo de proteção de segurança. Além disso como a a Priscila colocou muito bem é fundamental que nós tenhamos também essa questão de 1 rede muito mais articulada não é possível pensar em segurança escolar, em violência, em proteção sem ter essa rede muito articulada. E quando a gente fala em rede articulada nós estamos falando da expansão e fortalecimento dessa rede de atendimento psicossocial, que isso é fundamental, mas mais do que isso na articulação dessa rede de proteção, não só no sentido assim de que o pessoal vai encaminhar. Sabe o que você vai passando encaminhando em vez de ter de fato integração e pra isso como a Priscila destaca muito bem formação é fundamental que nem sempre e atuação de integração e eu encerro dizendo da importância da ampliação né pra que se cumprir a lei 13 935 de 2019 dessa ampliação do serviço de psicologia e serviço social nas redes públicas mas o que a gente tem visto é que essa ampliação tem sido só com contratações temporárias, aquela categoria O né? E isso é é por lado é positiva a ampliação mas por outro lado você não consegue ter 1 equipe formada 1 equipe constante porque essa equipe está sempre em transformação. Se nós olharmos eu não vou trazer aqui mas vários estados que ampliaram expressivamente essa rede é é principalmente por exemplo estado de São Paulo na categoria O que são contratos temporários. Então eu encerro dizendo que articulação entre a segurança com comitês integrados, com o pessoal da psicologia é fundamental, mas a gente tem que ter alguns cuidados pra que isso realmente resulte em trabalho mais efetivo.

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27 de nov, 18:13

CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

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Eu gostaria de cumprimentar as autoridades da mesa, agradecer o convite do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados pra participar dessa iniciativa tão relevante e também cumprimentar os meus colegas educadores que estão presentes nessa audiência pública. É sempre 1 satisfação ouvir a professora Josebanda. Eu falo em nome de grupo de pesquisas em educação moral, o GPEM, que integra pesquisadores distintas universidades de São Paulo. Inicialmente eu vou fazer 1 breve apresentação, contextualização e em seguida eu vou apresentar programa na área da convivência escolar que ele é resultado de anos de pesquisas aplicadas em escolas públicas. Eu vou compartilhar a tela. Está aparecendo? Está sim. Então inicialmente eu queria dizer que atualmente nós tivemos inúmeras mudanças culturais e sociais muito fortes na nossa sociedade na última década. A gente teve a pandemia, né, as redes sociais, os os jogos online, a popularização dos smartphones e de modo.

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