Ana Magnólia Bezerra Mendes

Ana Magnólia Bezerra Mendes

Professora Titular da Universidade de Brasília - Departamento de Psicologia Social e do Trabalho

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02 de mar, 12:18

COMISSÃO DE TRABALHO

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- I would like to say that the re-structuring... I've been following the re-structuring of the 1990s, there were many cases of suicide at the time, and these new re-structuring that the bank has made, and this last one that you all have related in detail, is built by a policy of vulnerability. do trabalhador of the movement of the sindical and the precarious work. This policy that has been been developed at least 10 years ago, The maximum point is the re-structuring product, but the cause of all this vulnerability is the model of the fear, that is the fear that the colleague resgatou from our research, the fear, the anxiety and the intimidation. this re-structuring, which is already done, or, or, the vulnerability of the syndical movement, that is what happens with the neoliberal rationality, that is what it produces, strategically, and at a certain moment, put a policy. And then people don't have how to react. This is the biggest strategy of the digital capital, and the neoliberal rationality. Or, where we have to attack It's a model of management, because This is the fear that is produced. and effects on workers. So I would like to emphasize that the leaders who are there, today, are implementing all these atrocities, should be responsible. The Banco do Brasil is not an abstraction, it has its history, There is the issue of identity, which is already destroyed, but there are people who are doing this. these people need to be called, need to be responsible for what they are doing. So I wanted to emphasize that fear, intimidation and anxiety are institutionalized by the current management model of the Bank of Brazil, minimally since 2016, and producing these vulnerabilities and precarizations, any re-structuring will be implemented, any way, leaving us without a exit. It won't let, because as Erika said, we won't allow it because we are fighting for years. But the intention of capital in its way of reproducing, today digital, and the rationality neoliberal is to leave us without a exit. So I wanted to complete it and say that we need to fight this fear, because fear is a political strategy that is used to be implemented as economic measures. in the case of the Banco do Brasil. Thank you for the invitation.

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02 de mar, 10:34

COMISSÃO DE TRABALHO

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Peço perdão pela voz... estou com problemas afônicos, pela tosse que eu vou... de vez em quando aqui tossi, por isso que não consegui fazer presencial. Agradeço o convite. da deputada Érica, da comissão, dos meus colegas, do Sindicato da Federação, Rodrigo Araújo, pelo... pelo convite para participar... dessa audiência. Eu vou começar dizendo que em 2018 nós fizemos uma pesquisa já sobre as agências digitais no Banco do Brasil, e a Febraban já anunciava o que estava para acontecer e o que está acontecendo no momento. e numa nota da FEBRABAN, eles... insistiam que, eu vou ler aqui a frase porque isso já estava, já estava, digamos assim, orquestrado, né? A força de trabalho no futuro deve mudar esse quadro de profissionais e ele chamava a lógica de freelancers e profissionais autônomos para trabalhar nas instituições financeiras e falava do perfil, que esses profissionais teriam que ter em função do advento da tecnologia e da inteligência artificial. 2018 tinha esse anúncio que já um anúncio da FebraBank, que já... previa mudanças estratégicas no modelo de gestão de pessoas do Banco do Brasil. Então, esse... anúncio já implica nas formas estratégicas de treinamento, desenvolvimento, avaliação, que tem acontecido no banco, toda a gamificação da gestão de pessoas e cada vez tem piorado muito mais esse processo. Então, as pesquisas que nós desenvolvemos, pesquisas com a CONTRAF, com as pesquisas que fazemos no Observatório de Saúde Trabalhador do Brasil, no Sindicato dos Bancários de Brasília, e a recente pesquisa que fizemos para a FETEC Centro-Norte, E é uma fala dos trabalhadores, eles disseram, fizemos pesquisas quantitativas, mas na pesquisa qualitativa, o trabalhador diz o seguinte: E com utilização da inteligência artificial na gestão de pessoas das instituições financeiras, Marca-se a abertura das portas do inferno. Então essa é uma fala de um bancário que eu queria destacar como... O que pode acontecer com a categoria? Entrar, adentrar pelas portas do inferno. É isso que a categoria tem vivido, com a inteligência artificial sendo usada para a gestão do banco, nesse momento, para o trabalho deles. E todas essas pesquisas, desde 2018, mostram o transtorno de ansiedade como a... o transtorno que acomete a categoria. Eu vou ler aqui rapidamente os percentuais nós temos 94% reunindo a pesquisa nacional, regional e local, os três níveis de pesquisa que nós temos feito, 94% dos bancários sofrem de transtornos depressivos, como tristeza, irritabilidade, angústia, desânimo, pessimismo, dificuldade de concentração, alteração do apetite, sensação de vazio, falta de vontade para fazer as coisas. de estudos, macro, meso e micro, 91% transtornos de ansiedade, tensão constante, sensação de que algo ruim vai acontecer, já está acontecendo, é as portas do inferno, como eles disseram, e já foi anunciado que iam ser feitas essas medidas em 2018 pela febre abana, dificuldade para dormir, descontrole sobre os pensamentos, dores no peito, falta de ar, tremores, fraqueza, cansaço. E o dado mais alarmante, 55% relaciona se relaciona à ideação suicida. passa pela cabeça de 55% da categoria, a ideação suicida, que é ligada à desesperança, desamparo, vontade de se isolar, Sento que não vale mais a pena viver, sinto que a vida não faz mais sentido, penso em desistir de tudo. Então, essas são as características da saúde, como está o adoecimento dos bancários nesse momento. E aí, em relação à abertura das portas do inferno, nós produzimos um artigo que depois eu posso disponibilizar para a FETEC, Centro Norte, mais recente agora, final do ano passado, depois da nossa pesquisa, sobre a utilização da inteligência artificial na gestão de pessoas. E aí E o que nós observamos a partir da... Além desse dado, de que isso é adentrar pela porta do inferno, é uma frase de um bancário, observamos que esse estilo de gestão, ele vai produzir a nossa pesquisa, também da CUT-Contrafe, demonstra essa relação de causalidade, as patologias do trabalho, deforma as subjetividades e o laço social. O que pode acontecer com subjetividades deformadas? isso vai produzir a ruptura do laço social. O que vai acontecer em uma sociedade ou em uma instituição onde não existe mais laço social? É a normopatia, é a sociopatia, é o, entre aspas, faroeste. Tudo pode acontecer, inclusive situações que nós já vimos em outras categorias de trabalhadores produzir o extermínio de próprio colega. Então, seria barbárie humana. da subjetividade e dos laços sociais. Vale dizer que tudo isso está ligado a um discurso, Um discurso que é um discurso com prática social. O discurso já é ato. Então existe um discurso que não é só mais alienação do trabalhador, ou o limite não é, o limite é, não tem limite como a cartilha que nós fizemos antes, há uns 10 anos atrás. Então hoje o recurso é a obediência. É o engajamento pela essa prática discursiva, pelas falsas promessas, pelos falsos paradigmas que são apresentados. E a inteligência artificial hoje é uma função chave na gestão de pessoas do banco. Pena que o colega não veio participar. Gostaria muito de discutir quais são os efeitos, porque tem todo um discurso sobre a questão dos benefícios desses artifícios tecnológicos, do que ela produz em termos dessa subjetividade e do adoecimento. Por quê? Porque aí é uma ferramenta de vigilância constante, perpétua. Ela não tem a menor possibilidade do trabalhador sair, é o controle absoluto. é a vigilância absoluta. Então vai se produzindo um circuito de extração e padronização de dados sobre esses trabalhadores, para que reproduza os humanoides e que eles possam ser, inclusive, substituídos. Então, trabalhar 24 horas. E a classe, então, a categoria, nesse modelo de gestão, eles nos dizem, na nossa pesquisa qualitativa, observem, são três níveis de pesquisa, pesquisa nacional, regional e local, e um observatório de saúde trabalhador o tempo todo fazendo a observação desse estado de saúde. Então, esses funcionários falam dessa vigilância, do circuito de vigilância digital, E eles dizem claramente, além de adentrar pelas portas do inferno, viver no limite. Então o bancário hoje vive no limite. No limite em relação ao aumento dos riscos psicossociais que eles estão submetidos e a esse transtorno de ansiedade que vem acometendo a maior parte da categoria e despolitização do sofrimento. À medida que os humanos estão excluídos dos espaços de trabalho, se é a inteligência artificial que vai imperar, mandar, não existem mais humanos. Então, o sofrimento é algo que está absolutamente excluído. Eu me sinto até, de uma forma quase jurássica, falar em politização do sofrimento hoje. Seria muito interessante mesmo que o colega estivesse. Eu gostaria de fazer uma entrevista com ele, dele, aplicando de forma feroz, cruel, perversa, todas essas estratégias, não só de manipulação e de vigilância, mas de extermínio mesmo da condição humana. Então, era isso que eu queria trazer para contribuir com a reflexão. Coloco à disposição, eu penso que com a concordância dos colegas, os relatórios, são três relatórios com todos esses que foi escrito, que nós nominamos de culto à performance e a suposta garantia de prosperidade no Banco do Brasil. Abre-se as portas do inferno. Você quer entrar? Foi um artigo que nós fizemos agora mais recentemente no nosso... até centro-norte. Então, eu coloco à disposição esse material, para quem, eu acho que os colegas vão concordar que eu coloque à disposição, os direitos autorais são das instituições, para quem quiser ter acesso para fundamentar e se apropriar desses dados, porque o que é mais complexo hoje eu estou há dois de dormir e três trabalhando com os bancários, ou seja, são mais de 20 anos, é furar esse discurso. É quebrar o esquema do discurso que provoca essa adesão, provoca uma servidão voluntária numa parte da categoria. Então, uma parte doente e uma parte aderida a esse discurso e reproduzindo esse discurso com os próprios colegas, exercendo essas práticas. Isso é realmente... O mais preocupante nesses 20 anos aí que eu penso, tenho até saudade do tempo da Lei Dort, dos anos 90, quando eu fiz pesquisa, comecei minha pesquisa no Banco do Brasil. E hoje é realmente esse absoluto desmonte, não é? Em função dessas plataformas e desse capitalismo digital. Obrigada, gente.

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