A urgência do suporte à neurodiversidade

O plenário abriu espaço nesta terça-feira para uma sessão solene dedicada ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O encontro serviu de palco para duras críticas sobre a distância entre o que diz a lei e o que acontece, de fato, na vida das famílias brasileiras.

Parlamentares e representantes de entidades da sociedade civil foram uníssonos ao apontar a ineficiência estatal na execução dos direitos básicos. O problema central reside na falta de acesso rápido a tratamentos, com filas de espera que se arrastam por meses e a escassez de remédios essenciais nas unidades de saúde .

Barreiras no cotidiano e na economia

O debate destacou que o custo financeiro para manter terapias especializadas é proibitivo para a maioria da população. Sem apoio suficiente, muitas famílias ficam desamparadas, sobrecarregando especialmente as chamadas mães atípicas. Elas enfrentam uma jornada dupla ou tripla, lidando com a exaustão emocional e o desafio constante de equilibrar o orçamento doméstico para garantir o desenvolvimento de seus filhos.

Representantes de grupos como o 'Anjo Azul' e a 'MUPA' relataram que a rede de atendimento atual é insuficiente. Muitas dessas organizações sobrevivem com recursos escassos, o que dificulta a ampliação dos serviços de ponta. A mensagem deixada pelos convidados foi clara: é necessário aumentar o fomento — dinheiro público destinado a projetos específicos — e fortalecer o apoio governamental para evitar que o trabalho dessas instituições entre em colapso.

Rumo a um novo modelo de inclusão

Além da estrutura física e de recursos médicos, a sessão trouxe uma discussão importante sobre o conceito de neurodiversidade. Pesquisadores presentes defenderam que o Estado deve parar de enxergar o autismo sob uma ótica estritamente voltada ao controle de comportamento. A proposta é migrar para um modelo focado no respeito à autonomia e na garantia de direitos fundamentais.

Para os convidados, o protagonismo deve ser dos próprios autistas na construção de qualquer política pública. Isso inclui investir de verdade na educação inclusiva, que vai muito além de apenas colocar o aluno em sala de aula, exigindo adaptações pedagógicas e preparo profissional contínuo. Ao final, a sessão reforçou que o respeito e a acessibilidade não podem ser tratados apenas como metas distantes, mas como medidas de aplicação imediata para garantir a cidadania plena de toda a comunidade autista no Brasil.

Fonte

  1. PLENÁRIO