PLENÁRIO

6 nov. 2024 12:25 às 16:25

Sobre o Evento

Resumo da sessão de abertura do Fórum do P20: líderes e representantes discutem desenvolvimento sustentável, representatividade feminina e autonomia econômica, abordando desigualdades de gênero e raça.

#42
Presidente do Parlamento de Angola Carolina Cerqueira
Carolina Cerqueira

Presidente do Parlamento de Angola

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Dos parlamentos senhoras e senhores, os meus agradecimentos pela oportunidade de poder falar perante vós. Eu sou a primeira presidente do parlamento do meu país, o que representa 1 evolução significativa e inédita no histórico parlamentar de Angola. O parlamento angolano tem 87 deputadas, apresentando nível de representatividade de 39.5, 0.5 sendo as comissões de defesa e segurança bem como a de economia e finanças presididas por mulheres. Estando o nosso país classificado na vigésima quinta posição no ranking parlamentar mundial. Senhoras e senhores o meu país tem 2 particularidades interessantes. A primeira é que as mulheres constituem 50 e por 100 de 1 população estimada em 36000000 de habitantes sendo 30.4 por 100 das mulheres fiadas por mulheres. A segunda é que é dos países mais jovens do mundo, com 1 média de idade 17 anos e 1 taxa de natalidade das maiores do mundo de 4 filhos por mulheres, o que nos leva a grandes desafios no tocante à educação das meninas e adolescentes e à garantia dos cuidados básicos de saúde e de proteção social. Angola definiu a política nacional para igualdade e equidade do género, que visa garantir 1 maior equidade de oportunidades, direitos e responsabilidades entre mulheres e homens. O Flávio introduziu o orçamento sensível ao género que representa compromisso sólido de promoção da transparência e da equidade entre os género. Senhoras e senhores, considero oportuno fazer alguma referências ao papel da mulher africana na tomada de decisão. Em quase todo o continente africano na zona rurais ainda existem barreiras ao exercício da cidadania por motivo de cultura e tradição que impedem o acesso das mulheres à educação escolar e à qualificação técnica ou profissional o que tem profundo impacto negativo sobre as gerações futuras. E nos casos em que as mulheres ocupam cargos de liderança, têm de lutar contra os estereótipos do género que consideram por exemplo que a mulher que acendeu aquele cargo não o fez por mérito próprio. O que podemos então nós fazer para transformar a realidade em Angola e noutros países africanos que enfrentam os mesmos desafios é crucial a aprovação de leis de paridade que introduzam cotas de género nos cargos de nomeação política e administrativa tanto a nível local quanto na liderança das grandes empresas estatais e em setores estratégicos. É igualmente essencial estabelecer mecanismos robustos de implementação da regras zebra que é 1 sequência alternativa que garante a presença equitativa de homens e mulheres nas listas partidárias. Também considero importante a existência de programas de capacitação para que as candidatas mulheres possam desenvolver as suas capacidades de liderança e de gestão de campanhas eleitorais. E isso pode ser feito, estabelecendo nas leis e regras do financiamento eleitoral, a obrigatoriedade dos partidos destinarem 1 pequena percentagem de fundos para os programas de formação eleitoral e de distalitices. Também é importante a criação de incentivos para a contratação de mulheres em setores vistos com maioritariamente masculinos e o setor público nos nossos países pode liderar essa mudança, incentivando a entrada feminina em áreas como engenharia, matemáticas, política e segurança nacional. Nessa matéria é importante contarmos com o apoio internacional no financiamento de bolsas de formação para jovens e meninas de países em desenvolvimento e no fortalecimento de programas de formação técnica voltados para as mulheres. Em suma devemos capacitar as mulheres com recursos necessários para transformar os seus sonhos em realidade permitindo assegurar o nosso direito a ocupar lugares nos órgãos de decisão e na promoção e preservação da paz. São ameaçada nos nossos dias. Precisamos de continuar a usar a nossa voz e trazer as meninas jovens e adolescentes ao nosso lado para que não apenas sigam mas construam os seus próprios caminhos. Termino recordando a antiga presidente da Libéria, prémio Nobel da Paz em 2011, Ellen Johnson, que disse que o tamanho dos seus sonhos deve ser sempre exceder a sua capacidade de alcançálos. Se os seus sonhos não te assustam Muito obrigada senhora.

06 de nov, 17:31