COMISSÃO ESPECIAL DA POLÍTICA NACIONAL PARA PESSOAS COM AUTISMO (PL 3080/20)
Sobre o Evento
A comissão tratou da organização documental e da tramitação de diretrizes para a Política Nacional voltada às pessoas com autismo.
Diretor de Inovação Médica da Autistas Brasil - Autistas Brasil
Todos me ouvem. Sim. Obrigado. Então, eu gostaria, novamente, eu quero até pegar a fala do colega que acabou de me anteceder, o colega psicólogo, especialista na abordagem ABBA, e dizer que eu concordo plenamente, a ciência evolui. E o conhecimento vai modificando técnicas que antigamente nós usávamos como técnicas adequadas. Hoje, o que a gente tem aprendido com os próprios autistas, através da comunicação alternativa e aumentada, é conseguir exatamente entender o porquê que ele corre, o porquê que ele às vezes é impulsivo, o porquê que às vezes ele acaba... tendo um comportamento que não era aquilo que ele desejava ter feito. Então, e principalmente, o que eu mais vejo no meu consultório hoje, são crianças que chegam para mim, muitas vezes, com incapacidade de comunicação verbal, muito irritadas, muito agressivas, em que, infelizmente, muitas vezes, os pais escutam dos terapeutas Abba, dizendo, isso ele está fazendo para chamar a atenção, isso ele está fazendo porque ele quer que a vontade dele prevalença, Ele está batendo... porque ele quer que você dê para ele tal coisa. Ignore esse comportamento, porque se você atender a esse comportamento, a criança vai reforçar e toda vez ela vai fazer isso. E no final das contas, o que eu descubro, essa criança tinha um refluxo gastroesofágico, ela tinha uma doença inflamatória intestinal, ela tinha uma dor de dente que ninguém tinha visto, ela tinha cefaleia, e não é por uma abordagem comportamental que a gente vai melhorar um comportamento que a criança faz, porque na verdade ela não conseguiu encontrar outra maneira de aliviar aquele desconforto e aquela dor. Então, o que eu peço encarecidamente é que a gente não se feche com uma única abordagem, a abordagem aba é uma das abordagens, como muitas outras abordagens, E da mesma maneira que nós entendemos e falamos e repetimos, e cada autista tem o seu jeito único, cada autista é único nas suas características, a gente também tem que pensar o tratamento único para cada pessoa. E principalmente o cuidado clínico, se a gente não ajudar os profissionais, os pais, e eu não digo nem profissionais terapeutas, eu digo os profissionais médicos que veem essas crianças para observar questões clínicas que não estão sendo tratadas, não vai ser nem por uma medicação psiquiátrica, não vai ser nem por uma abordagem mais intensiva da análise do comportamento, que essa criança vai ter a sua melhora na qualidade de vida. O que a gente precisa garantir é um olhar clínico integral, E... ofertas de oportunidades de terapias baseadas na ciência, baseadas em evidência, como o DIR Floor Time, como o Jasper, como o CERT, como outras técnicas para que essas crianças possam ser melhor atendidas. Muito obrigado.




