PLENÁRIO

25 mar. 2026 14:14 às 20:27

Sobre o Evento

A sessão plenária foi marcada por uma pauta diversificada que incluiu desde debates sobre infraestrutura rodoviária e desenvolvimento regional até questões de política fiscal e direitos sociais. Os parlamentares discutiram temas como reformas previdenciárias, segurança pública, combate à violência contra a mulher e críticas à gestão governamental.

Status
Concluído
ID: 81424Total: 274 discursos
#257
Deputada Erika Kokay
Erika Kokay

Deputada

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dentre tantos instrumentos de dominação numa sociedade que estimula a misoginia, que precisa ser tipificada, e que precisa ser combatida. porque a misoginia se transforma Mas... nos objetos que ceifam a vida das mulheres. Mas veja, Nesta sociedade, existem muitos instrumentos de dominação. Eu diria que o medo é um instrumento de dominação. A cultura do medo, essa das mulheres que entram em coletivos e têm medo, as ruas que são negadas para as mulheres, as noites negadas para as mulheres. Nós não temos mais o direito à cidade. mas também temos a solidão. A dupla e a tripla jornada, ela impõe uma solidão e penso que é a construção de uma solidão de forma muito dolosa. Porque as pessoas estão dentro de casa, a mercê das redes sociais, a mercê dos meios de comunicação, com muito fetiche da mercadoria, com a mercadorização dos desejos, a mercadorização dos sonhos, a mercadorização... Enfim A mercadorização das relações. e a solidão provocada pela dupla e pela tripla jornada, de mulheres que muitas vezes vão ao trabalho e voltam para casa, e vão ao trabalho e voltam para casa, ou do conjunto da população que sai de casa, vai ao trabalho e se tranca dentro de casa. E um terceiro instrumento que me parece que é bastante concreto, que tem relação inclusive com a negação dos tetos de vidro. Porque se há teto de vidro, as mulheres não chegam. Eu lembro da presidenta do Superior Tribunal Militar que dizia, eu furei o teto de vidro. Quando fura, muitas de nós podemos passar. Mas vejam, essa meritocracia de que você atinge os seus objetos ou seus desejos a partir do seu próprio mérito, sem considerar as condições sociais e as desigualdades inerentes a um país de quase 400 anos de escravização na sua história. E se você atinge mérito próprio e se não atinge, mas tem teto de vidro, se não atinge a culpabilização. Então, quando nós estamos falando de um dia... Para valorizarmos a autoestima das mulheres, nós estamos criando uma discussão para impedir as culpabilizações que corroem a própria autoestima. quando você tem mulheres que a sociedade manda uma mensagem Ocupem seus espaços públicos, mas suas casas têm que estar intactas, mas você tem que ser perfeito enquanto mãe, você tem que estar disponível para o seu marido ou seu companheiro, se estabelecem ditaduras da perfeição. Como a perfeição não dialoga com a nossa humanidade, há uma culpabilização das mulheres. Por isso, presidente, apenas mais algum tempo para concluir, eu diria que este projeto, ele carrega o sentido de valorização da autoestima das mulheres, para romper as culpabilizações e para que nós possamos ter uma sociedade onde homens e mulheres tenham os mesmos direitos e não tenhamos uma lógica misógina, muitas vezes naturalizada, para ser perenizada. Nós temos o dia 21 de setembro, que é o dia da árvore, mas para além disso, é véspera da primavera. Para dizer que podem até arrancar uma flor, mas nunca se deterá a primavera. Por isso, somos sim à proposição.

25 de mar, 19:59