CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

26 mar. 2026 10:07 às 12:02

Sobre o Evento

O Centro de Estudos e Debates Estratégicos realizou audiência para discutir a inclusão digital e produtiva de populações vulneráveis em favelas e comunidades periféricas. O debate abordou o papel da tecnologia, da inteligência artificial e da humanização de algoritmos na geração de renda e na melhoria das condições de trabalho para moradores dessas regiões e motoristas de aplicativos.

Status
Concluído
ID: 81110Total: 39 discursos
#18
Diretor-executivo - Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) e representante da Empresa 99Food e Grupo iFood André Porto
André Porto

Diretor-executivo - Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) e representante da Empresa 99Food e Grupo iFood

Transcrição automática

Deu uma mudança. Obrigado, deputado Hélio Lopes, obrigado pelo convite. Parabéns pela iniciativa de realizar esse projeto. esse debate, centro de estudos, para que a gente possa trocar ideia sobre esse tema que está tão em voga na sociedade brasileira. Bem rapidamente, apresentando a Mobtec, a Mobtec é a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia. Associação que representa as principais plataformas que prestam serviços de tecnologia relacionados à mobilidade de bens e pessoas. Estamos falando não apenas de Uber e 99, que realizam o transporte de passageiros, seja em motos, seja em automóveis, mas também iFood, Amazon, Z Delivery, Lalamove, Shein, Alibaba, todas as plataformas que realizam o transporte também de mercadorias. Então, É disso que a gente está falando. E aí eu quero... dividir a minha fala aqui, sobre o tema que nos foi trazido, em dois aspectos. O primeiro aspecto é o papel das plataformas como oportunidade de geração de renda, Próximo. para os moradores das comunidades, e também o aspecto do deles como usuários do serviço, dos aplicativos. seja para transporte, seja para compra de mercadorias. Então, gostaria de dividir nesses dois tópicos. E falando em geração de renda, a gente está falando hoje de cerca de 2,2 milhões de motoristas entregadores no Brasil. dentro das plataformas associadas à Mobitec, sendo que, dentre eles, 65% se declaram pretos ou pardos. E... cerca de 80% de motoristas entregadores são da classe CDI. Então, a gente vê que efetivamente é um público que obtém, que enxerga ali nas plataformas como uma fonte, uma possibilidade de obtenção de renda. E uma renda que é extremamente compatível com as oportunidades que esse trabalhador também teria no mercado de trabalho. Isso, os dados que vêm sendo produzidos acerca do setor... É... tanto dados do SEBRAP quanto dados do IBGE, mostra que a renda, e falando de renda líquida, não renda bruta, porque a gente sabe que os custos relacionados à atividade estão com o trabalhador, a renda líquida dele é muito compatível com a renda de um trabalhador com carteira assinada no setor de serviços, por exemplo. E somado a isso... E aí eu acho que entra uma outra característica muito positiva do setor, esse trabalhador tem autonomia e flexibilidade. Então, ele pode... Ele pode adequar a sua realidade de vida, a atividade dentro da plataforma. Então, muitas vezes, uma mãe que não tem com quem deixar seu filho durante determinado período, ela, às vezes, encontra dificuldade em encontrar um emprego com carteira assinada, por exemplo, em que ela consiga adequar essa realidade e ela consegue, a partir dos aplicativos, obter renda. lhe é necessária. Além disso, metade desses 2,2 milhões são trabalhadores, um pouquinho menos da metade, sendo bem justo, cerca de 45%, porque eles atuam nas plataformas como complemento de renda. Então, é um trabalhador que tem uma fonte de renda principal, mas que muitas vezes essa fonte de renda não é suficiente para ela pagar as contas do dia a dia. Então, ele utiliza as plataformas para complementar a sua renda. Para fazer, ou até mesmo para algum projeto especial, quer trocar de carro, quer fazer uma viagem, ou chegar em um determinado período do ano, ele precisa de uma renda complementar. Então, ele utiliza as plataformas, porque é muito fácil. mas é muito mais simples você obter renda a partir de uma plataforma do que você passar por um processo seletivo, de um emprego, cumprir jornada, ter toda aquela rigidez, tem direitos, mas várias das obrigações também. Então, é muito simples você obter renda a partir das plataformas. E isso fica bem claro quando a gente olha, por exemplo, o estudo do Banco Central, que diz que as plataformas foram responsáveis por reduzir em quase um ponto percentual a taxa estrutural de desemprego no Brasil. Como existe esse novo mercado, essa facilidade, para que os trabalhadores consigam obter essa renda, a gente consegue reduzir significativamente a taxa estrutural de desemprego. E ainda na face da obtenção de renda, E aí não falando especificamente de motoristas e entregadores, mas é preciso a gente considerar aqui também os inúmeros estabelecimentos comerciais que conseguem ter acesso a outros mercados a partir das plataformas. Então você vê... e não apenas em regiões de alto poder aquisitivo, mas também em comunidades. pequenos estabelecimentos, uma vendinha, um pequeno produtor de marmita, por exemplo, que consegue, a partir de um aplicativo, ter acesso a um mercado muito maior, que ele não teria se não fossem os aplicativos. E a gente ainda avança um pouco, tratando o tema de comunidades, inclusive, muito oportuna a realização desse evento na data de hoje, que essa semana saiu uma série de matérias no jornal O Globo, falando sobre o tema, e tem uma matéria específica sobre os aplicativos dentro das favelas. Então, você tem, inclusive, já aplicativos dedicados exclusivamente a entregas em favelas. citando os nomes que foram citados na reportagem, tem o delivery das favelas, Favela Brasil Express, na Porta, que são aplicativos específicos para entrega em favelas, em comunidades. Então, acho que a gente precisa ter também em mente essa visão de oportunidades, de oportunidade de geração de renda, para os trabalhadores, seja motoristas, seja entregadores, mas também para os estabelecimentos comerciais, plataformas para ampliar seu mercado, obter renda e gerar receitas. Indo para o outro lado, agora, olhando o lado, como eu disse inicialmente, o lado do usuário, né, do nós, consumidores, que utilizamos as plataformas, acho que esse é o grande desafio hoje e a grande oportunidade, ao mesmo tempo, que as plataformas têm. Obrigado. Esse serviço hoje ainda é relativamente elitizado. Então, quem tem acesso, o acesso a esse serviço começa... por classe A e B, que tem acesso, consegue pagar. Então, acho que o grande desafio que os aplicativos têm hoje, que esse serviço tem hoje, é como que você consegue oportunizar para que a maior parcela da população tenha acesso a esse serviço que cada vez tem se tornado mais essencial. Então, você vê casos de donas de casa, por exemplo, de mães que... Dada a rotina de trabalho, não conseguem muitas vezes ir ao mercado fazer as compras e utilizam os aplicativos para fazer a compra mensal do mercado. E ali você ganha um tempo para ficar com sua família. Então, você tem... E como você amplia isso? Como é que você consegue gerar eficiência, gerar produtividade e ampliar esse acesso a um custo... acessível cada vez mais para a população. E isso tem acontecido, acho que essa ampliação do acesso tem acontecido. E aí eu queria citar alguns dados aqui, peço até desculpas por... pela enxurrada de dados que eu vou falar, e depois acho que a gente pode, de alguma maneira, estruturada a gente trazer isso, mas... Um serviço específico, por exemplo, o transporte de passageiros em moto, que a gente chama de Moto App, cerca de 60% dos usuários desse serviço tem renda familiar inferior a R$ 2.000,00. 60% em renda familiar inferior a R$ 2.000. 80% em classe CDI. que geralmente esse serviço é muito utilizado, que a gente chama de última milha. Então, a pessoa muitas vezes pega o ônibus ou o trem, ele vai até a estação final e depois ele faz essa última milha. Acho que o Denis, que me antecedeu aqui, trouxe o caso das comunidades, onde você vai até a porta da comunidade chegar à sua residência, porque efetivamente o cenário de insegurança existe. Então, mulheres, principalmente, utilizam muito esse serviço para não ter que andar na rua, ou para ganhar um tempo, enfim. Então, é um serviço que é bem acessível. 60% das viagens ocorrem em regiões não atendidas pelo transporte público, falando de Moto App. e aí vou trazer um recorte específico da região do Senhor, da região sudeste, cerca de 35% das corridas de aplicativos têm origem ou destino comunidades. Então... 35%. Então, acho que a gente muitas vezes fica acostumado com a nossa realidade, mas a gente não pode ignorar os números. É um serviço que sim, que ele atende e tem atendido cada vez mais comunidades que infelizmente, se vê em diante de, muitas vezes, um transporte público que não existe, ou um transporte público inacessível, e vê ali nos aplicativos uma oportunidade. E esse número tem crescido. Desde 2023, esse número tem crescido cerca de 50%. Então, cresce bastante. Falando um pouco de delivery, e aí não quero citar dados específicos de empresas, mas tentando, de alguma forma, generalizar o número, São feitos em comunidade. são entregues em comunidades, 30% dos pedidos de comida. Então, é um número bastante significativo, que também tem aumentado bastante. até não utilizar todo o meu tempo, as plataformas têm esse grande desafio. Essas plataformas são intermediadoras. elas intermedeiam a relação entre o motorista e o entregador, o consumidor final e, muitas vezes, o estabelecimento comercial, no caso de entregas que está vendendo... Ou seja uma comida ou seja um produto. O equilíbrio dentro desse ecossistema, ele é muito importante para que esse ecossistema se desenvolva e ele fique cada vez mais acessível. A gente não quer que esse serviço se torne um serviço elitizado ou ele fique um serviço que seja inacessível para as comunidades carentes ou para a população de baixa renda. Então... Quando a gente fala, e muitas vezes a gente fala de... de como que a gente melhora esse ecossistema, como que a gente cria uma regulamentação, a gente tem que ter isso em mente. A gente tem que ter em mente que... Ah... o custo dele O custo do serviço é um dos fatores fundamentais para que a população de baixa renda, a população de comunidades tenha acesso a esse serviço. A partir do momento que a gente eleva muito o custo, a gente vai estar excluindo... as comunidades de poder pedir uma comida, poder fazer um pedido de supermercado, ou poder até mesmo utilizar um carro de aplicativo para chegar, que seja na porta da comunidade, para a partir dali ter o transporte local, como o Denis comentou. É com base nisso que a gente coloca, é com base nisso que a gente quer colocar o debate, colocando dados, para que a gente não se restringe à nossa realidade e ignore toda a realidade do setor. Muito obrigado mais uma vez, estamos à disposição para o debate. Obrigado.

26 de mar, 11:00