CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS
Sobre o Evento
O Centro de Estudos e Debates Estratégicos realizou audiência para discutir a inclusão digital e produtiva de populações vulneráveis em favelas e comunidades periféricas. O debate abordou o papel da tecnologia, da inteligência artificial e da humanização de algoritmos na geração de renda e na melhoria das condições de trabalho para moradores dessas regiões e motoristas de aplicativos.
Diretor-executivo - Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) e representante da Empresa 99Food e Grupo iFood
Quero agradecer a todos os consultores pelas perguntas e... falar sobre o aplicativo é legal porque todo mundo usa, então todo mundo tem a sua visão sobre o aplicativo. E eu acho que esse é o nosso grande desafio também, enquanto associação. E acho que vários dos exemplos que foram trazidos aqui... E quando... a gente vê a descrição de algumas realidades, é muito a experiência da pessoa naquele aplicativo especificamente. E eu acho que essa é uma grande preocupação que a gente tem enquanto setor, é entender que existe uma infinidade de modelos de aplicativos... e que existe uma infinidade de realidades de trabalhadores de aplicativos. que utilizam os aplicativos. a realidade é muito distinta de cada uma dessas. Então, você tem, efetivamente, um motorista que obtém renda principalmente por meio daquele aplicativo, 100% da renda dele às vezes vem do aplicativo, mas você tem também casos em que... entre um um emprego e outro, durante um mês, ele utiliza o aplicativo para obter a renda ali, enquanto ele está procurando um ou outro, ou até mesmo ele continua depois fazendo pequenas corridas para poder complementar a renda, ou que ele precisa fazer algum projeto específico, como eu disse no início. Então, você tem uma realidade muito grande. Então, quando a gente fala de uma política pública, a gente não pode pensar em uma política pública. de políticas públicas, o custo-benefício das políticas públicas. Não dá para a gente pensar na política pública pensando... em... tem dificuldade de pensar na política pública, pensando em nenhuma realidade específica, ou em nenhum modelo de negócio específico, mas sim pensar quais são as dores e como que a gente realmente melhora. Acho que o... O Denis trouxe um exemplo muito bom que a gente, enquanto associação, defende, que é a questão previdenciária. Existe um déficit de inclusão previdenciária. tanto de motoristas quanto de entregadores então como é que a gente utiliza a tecnologia para garantir uma efetiva inclusão previdenciária de motoristas e entregadores essa é uma dor que a gente se debruça e que a gente tem debatido bastante em relação às perguntas especificamente acho que é uma pergunta do Augusto sobre os dados específicos de trabalhadores por aplicativos em favelas, em comunidades a gente não tem isso especificamente de georreferenciado. Primeiro porque é um dado muito minucioso, segundo que mesmo que você georreferencie, muitas vezes aquele morador ele é da favela, mas ele utiliza o aplicativo, mas ele exerce atividade em outro lugar. Então, é um morador de uma comunidade que, por exemplo, vai para um bairro do, sei lá, Ipanema, Copacabana, para trabalhar por aplicativo lá. Então, georreferenciado você não consegue, teria que ter um cruzamento muito grande e existe também a questão da duplicidade. pesquisas do setor, por exemplo, a gente precisa ter que ter muito cuidado para a gente evitar a duplicidade, como é que você limpa essa base, porque geralmente o motorista da Uber, ele também está cadastrado na 99, ele também está cadastrado na Indrive, às vezes ele está cadastrado em outro. Aplicativos de entrega é comum, os entregadores estarem online em mais de sete aplicativos ao mesmo tempo. Então, escolhendo... Qualquer melhor demanda. Então, é muito complicado a gente ter esse dado. E, às vezes, a gente tenta fazer, emendando numa segunda pergunta, às vezes a gente tenta fazer uma associação muito óbvia entre o motorista sair de uma bicicleta e ir para uma moto, como se uma ascensão fosse, mas não necessariamente é. Então, por exemplo, os aplicativos têm políticas, inclusive de sustentabilidade, estimulando a utilização de bicicletas, investindo em bicicletas elétricas em determinadas regiões. principalmente quando se fala de delivery, para você ter entregas em curtas distâncias, que aquele entregador não tenha que percorrer longas distâncias. Então, não necessariamente você tem essa correlação. Então, é muito difícil estabelecer. por exemplo, Os que utilizam moto, às vezes, eles já têm uma moto, ele não quer trocar moto, ele já utiliza aquela moto para outro fim, e aí ele obtém renda de maneira secundária nos aplicativos. Então, esse dado não necessariamente vai demonstrar uma correlação de ascensão. Em relação aos pequenos negócios de favelas e como que se estimula isso, as empresas têm políticas, eu não vou citar especificamente, para que elas possam trazer, mas elas têm projetos de incentivar empreendedorismo dentro das comunidades, buscando profissionalismo, buscando ampliar mercados. Há também o mercado dentro da própria comunidade, como é que se estimula o mercado ali para que seja um ambiente sustentável dentro de si mesmo, mas também buscando mercados fora. Acho que eu posso fazer uma provocação com as empresas associadas para que apresentem estruturalmente projetos de formação, projetos de empreendedorismo. Teve uma pergunta que o Danilo fez para o... para o Denis, não tem... assim, o CEP não determina se o motorista vai poder ou não se cadastrar na na plataforma, e ao contrário, o que a gente vê é que muitas pessoas Pessoas que por motivos individuais específicos, não teriam acesso ao mercado formal, conseguem ter acesso à renda por meio das plataformas. Então, também você tem um instrumento bastante importante de inclusão social. Sobre segurança, a pergunta que foi feita, existe sim um desafio por parte das plataformas em como informar ao motorista, existem mapas sobre regiões de maior risco. Agora, a gente tem que ter dois cuidados. O primeiro cuidado é, e aí é uma coisa mais objetiva, que é quem fornece esse dado. Então, quem vai dizer que aquela região é uma região perigosa ou não? É muito difícil para a plataforma se colocar em uma posição de dizer que é perigoso. Então, a gente precisa ter, primeiro, uma base de dados oficial. uma base de dados confiável e quais são quais vão ser esses cortes que vai dizer que aquela com é obviamente que o senso comum muitas vezes a gente tem a não entra naquela comunidade porque é perigoso mas o que vai dizer o que de maneira objetiva vai dizer acho que esse é o primeiro ponto e o segundo ponto que para a gente é mais importante ainda que dialoga com minha fala inicial é como é que a gente não discrimina não discrimina as comunidades É... A gente vai simplesmente dizer que aquelas pessoas, as comunidades, não vão ter acesso a aplicativos? Então, é uma pergunta que a gente tem que se fazer enquanto sociedade. Até que ponto, como é que a gente consegue equilibrar essa balança? Para que a gente permita que a pessoa que vive na comunidade... tem acesso ao aplicativo... ela possa, sim, se utilizar de um serviço de moto app, de um serviço de delivery, de um serviço de transporte por aplicativos, mas também você garanta a segurança de todos que estão ali envolvidos. Acho que tem um papel fundamental do Estado em relação à segurança pública. E também, obviamente, as plataformas têm a sua parcela de contribuição. Acho que buscando informar, buscando trazer dados, buscando ter uma análise mais objetiva em relação a isso. Esse componente é um ponto que a gente precisa discutir também. Como é que a gente não exclui... as comunidades do acesso a esse serviço. Acho que eu respondi todas as perguntas, senão estou à disposição para outras. Obrigado. Pode falar...




