COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA
Sobre o Evento
A Comissão de Constituição e Justiça realizou audiência pública sobre a PEC 221/2019, que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. Representantes do setor produtivo manifestaram preocupações quanto aos impactos econômicos da medida, defendendo que alterações na jornada sejam definidas prioritariamente via negociação coletiva.
Coordenador Trabalhista - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA
Primeiro, iniciando... pela questão trazida pela Carolina, Salve Mano e Juiz. Então, exatamente o ponto que a gente defende aqui é o fortalecimento da negociação. Que hoje... em alguns setores são mais fortes que os outros. mas que fazem parte de um instrumento essencial... para o nosso mundo do trabalho. Fiquei sabendo agora que o senhor foi advogado trabalhista, sabe muito bem da importância da norma coletiva, da negociação para a melhoria das condições de trabalho. Então, o nosso ponto aqui, acho que todo mundo foi muito nesse sentido, é do fortalecimento da negociação como instrumento de redução e melhoria da qualidade do trabalho. A discussão da transição da Constituição de 88, onde teve a redução de 48 para 44 horas. É claro que a gente tinha um contexto macroeconômico muito grande, com inúmeras variáveis, o que impede, dificulta a gente ter uma relação causa-efeito mais precisa. Mas aí eu vou recordar o seguinte, em 1989, um ano após a Constituição, a gente teve uma inflação de 1.972%. O IPEA registrou uma queda de 4,3% no PIB. Depois disso, em 1987, pré-constituição, a gente tinha 3,7% de desemprego. Em 1992, a gente bateu 5,7% de desemprego. O que a gente... O que eu estava falando aqui não é o Cavaleiro do Apocalipse. Vai passar, o aumento de custos vai fechar e o Brasil vai quebrar e a gente não vai ver mais nada. A gente está falando o seguinte: a economia é cíclica. ela de fato vai se reajustar mas é um duro preço que a gente vai pagar. E aí... É o questionamento que a gente traz. O Parlamento está disposto a endossar e pagar esse preço? Com a redução... Concordo com o senhor que a economia se adequa. A gente tem o mundo inteiro, funcionou sim, a economia é cíclica, a gente já teve... A queda da Bolsa... em 1929. a economia se restabeleceu, teve de novo... A bolha do mercado imobiliário nos Estados Unidos em 2008, a economia se restabeleceu. A gente teve as duas guerras mundiais na Alemanha, a economia se restabeleceu. Então, assim, a economia é psíquica. Mas a gente passa por períodos de dificuldade. Então o que a gente fala aqui não é que vai acabar o mundo. é que passaremos por dificuldades. certamente somos resilientes, vamos nos readequar E a economia voltará a girar. Mas a gente vai pagar um preço por isso. Então, é por isso que... Só para a gente pontuar, porque estamos trazendo muito o argumento de 88, mas a gente não tem tantos dados daquela época. Por isso que eu falei que são situações distintas. É claro que é uma situação macroeconômica, a gente não pode ser simplista, de atribuir uma relação causa efeito, mas o pós-constituição foi uma era negra até se ajustar em 1994 no plano real. E aí, não sou follower de história, eu às vezes gosto de dar uma pincelada na história, apesar de ser jovem, eu tenho a idade da Constituição, sou de 1988. Então, Psss. sobre a questão da transição, é isso que eu queria trazer. Pegando até uma fala do senhor da... da deputada Érica, sobre a questão do lazer aos finais de semana. A gente concorda em pleno. Só que isso exatamente converge com o que a gente está defendendo. Porque se todo mundo tiver folga ao sábado e domingo, Quem irá servir o lazer? Do sábado e domingo, de quem está em folga. Então, é por isso que a gente tem que ter adequações setoriais. porque alguém vai ter que trabalhar nesse sábado e domingo para o lazer. Então a gente, sim, vai montar essas escalas e tudo mais Mas, é claro que a gente precisa ter uma adequação setorial. Então, é por isso que a gente fala que não pode ter o corte estanque. porque vai ser uma negociação coletiva que vai permitir abrir os domingos. que a gente sabe que precisa, eu sou comandante, vai trabalhar e sabe que precisa da autorização do Ministério, que tem uma portaria, enfim, tem dificuldades. Tem Estados que fazem negociações para restringir, como o Espírito Santo. Então, a gente precisa de um instrumento forte que é o que a gente está defendendo. e não um corte estanque, para a gente exatamente pegar essas peculiaridades e garantir que, de fato, quem está gozando do lazer, possa gozar do lazer, porque vai ter alguém ali que vai estar sendo remunerado para isso, de forma adequada, para servi-lo na hora do lazer. Então, a nossa defesa aqui, e aí convergindo com a Carolina, defendendo... respondendo é exatamente pelo fortalecimento da negociação e não um corte estanque constitucional de um limite de jornada igualando todas as atividades. colocando todos no mesmo patamar, ainda que a gente tenha um país de dimensões continentais com inúmeras peculiaridades entre os setores econômicos. Eram essas as considerações que eu queria.




