COMISSÃO DE CULTURA
Sobre o Evento
A Comissão de Cultura realizou audiência pública para debater a criação do Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo. O evento focou na importância de ampliar a representatividade feminina em espaços historicamente masculinos, discutindo desafios de igualdade, segurança e o reconhecimento profissional dessas trabalhadoras.
Deputada
A Deputada conduz audiência pública para instituir o Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo, visando atender trâmite legislativo e valorizar a crescente participação feminina em um setor historicamente masculino.
DIRETORA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DA CHOUEST NO BRASIL
Muito obrigada. Deputada Jandira, agradeço a oportunidade. É de fato uma satisfação estar hoje aqui presente e explico o porquê da minha participação remota. Faço parte da delegação brasileira na IMO, na International Maritime Organization. Estamos em plena sessão MEPC 84, a sessão de meio ambiente, com discussão de eficiência energética, descarbonização, propostas importantes sendo levadas. Já faço parte dessa delegação há bastante tempo. E, de fato, eu também ingressei nesse setor quando havia muito poucas mulheres. Hoje nós já temos um contingente mais expressivo, seguimos sendo minoria, mas a pegada de excelência nos fez nos colocar nessa posição. não só mulheres aquaviárias, marítimas, oficiais, muito bem qualificadas e com resultados expressivos nas escolas de formação, respeitadas, temos comandantes, como também nas instituições que agasalham o setor. Não sei se a deputada se recorda, nós já estivemos juntas algumas vezes no MDIC, no Ministério de Portos, e representando eu representava as empresas de navegação de apoio marítimo o sindicato sindarma e a minha associação é a única mulher numa diretoria de oito homens era executiva hoje é tenho essa posição no grupo sueste temos poucas diretoras mulheres de fato é importante é essa esse reconhecimento e acredito que o trabalho que vem sendo desenvolvido pela deputada no âmbito da indústria naval da da marinha mercante é bastante relevante seu nome é uma referência nós sabemos podemos contar com a com a sua eficiência e empenho para que tenhamos sempre parabenizo pela audiência, pela iniciativa desse dia, com muita satisfação e honra estou aqui hoje presente, ainda que remotamente, mas de coração aí com todas. A Cecília hoje me mandou uma mensagem, você vai participar, eu vou, mas eu estou virtual, porque eu estou aqui na Imo. Então é mostrando a nossa força, a nossa capacidade, Esse cumprimento da formalidade, ele, além de ser exigido, ele é também igualmente importante para firmar essa posição. Então, agradeço mais uma vez, desejando boa sorte nos trabalhos e permanecerei online até que seja chamada aqui para a conclusão do relatório, que já estou aqui quatro horas na frente, mas os trabalhos ainda não terminaram. Muito obrigada, deputada. Muito obrigada. E parabéns mais uma vez. Obrigada, Lilian, pela...
Deputada
A tua participação, eu nem sabia que você estava tão longe Mas o fato de você entrar mostra que você, de fato, valoriza... É esse trabalho que a gente vai desenvolvendo aqui. Eu lembro, sim, de você. Sempre éramos, às vezes, as únicas em determinadas reuniões, né? com os armadores e com o setor E eu fico muito feliz com a tua presença, muito obrigada. Vou passar, então, agora à Cecília. que é secretário de Economia do Mar, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, no Rio de Janeiro. Com você a palavra, Cecília, por 10 minutos. Obrigado. E aí Obrigada.
SECRETÁRIA DE ECONOMIA DO MAR DA CTB-RJ
Aqui é o contrário, vermelho é o toque. É verdade. Bom, Jandira, nossa querida deputada, boa tarde a todas e a todos. Queria agradecer a sensibilidade e o compromisso em acolher esse nosso pleito, que é tão significativo para nós mulheres. Cumprimentar também as demais parlamentares, representantes das entidades, né? A Lilian, que a gente, como ela já comentou, estamos sempre juntas no trabalho que é sempre tão importante para o setor. em especial as trabalhadoras e trabalhadoras do setor marítimo. Também cumprimento a Lorena, minha colega, que estamos nessa mesma... É... O Sindimar procurou a deputada Jandira como pedido de apoio para instituir essa data comemorativa, porque achamos que é preciso dar mais visibilidade à atividade marítima e incentivar a participação feminina nesse setor. Essa proposta carrega um simbolismo importante, mas vai muito além dele. Além de reconhecimento e visibilidade, ele trata de orientar uma direção segura para o nosso futuro. O setor marítimo, meus amigos, ele é responsável e estratégico para o desenvolvimento do país. Ele sustenta boa parte da cadeia de sofrimentos essenciais, movimenta quase todo o comércio exterior e tem um papel central na garantia da soberania nacional. Um tema que é tão caro pra gente nesse momento, né, Jandira? E esse setor, ao longo da história, ele sempre foi estruturado com base na participação masculina. A presença das mulheres por muito tempo foi proibida, desencorajada e, quando se tornou possível, enfrentou um preconceito e uma resistência gigantesca por boa parte mais conservadora da sociedade. Por muito tempo, inclusive, existia a ideia de que Mulher a Bordo dava azar, né, Lorena? Pois é, meus amigos, o pessoal achava que mulher a bordo dava azar. Obrigado. É verdade. E tem apenas um quarto de século, 25 anos, que nós mulheres passamos a ocupar de forma mais significativa. postos de trabalho a bordo. Já tínhamos outras mulheres a bordo, claro, mas em número muito menor Jandira sabe bem disso, mas de forma mais significativa tem apenas 25 anos, é muito recente. E hoje, quando vemos mulheres atuando como oficiais de náutica, oficiais de máquinas, eletricistas, comandantes, chefes de máquinas, pesquisadoras, profissionais da indústria naval, trabalhadoras portuárias, especialistas em energia offshore, docentes marítimas e lideranças sindicais, é uma coisa muito nova e muito gratificante para a gente. Mas, apesar desse avanço, a gente sabe que tem muito a fazer ainda. Os dados da Organização Marítima Internacional, que é a instituição que a Lília acabou de citar, e Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes, a ITF, indicam que as mulheres representam menos de 2% da força de trabalho global. Isso é muito, é ínfimo, é muito pouco. No Brasil, a gente tem cerca de 15%. É um número bastante maior, mas ainda assim muito pequeno. E por isso a gente enfrenta desafios estruturais e comportamentais. E essa luta por respeito, não raro, temos que combater, inclusive, o assédio. Instituir esse dia, o Dia Nacional das Mulheres do Setor Marítimo, é reconhecer essa trajetória e, ao mesmo tempo, lançar luz sobre esses desafios. É uma parte muito importante. É afirmar que o Brasil entende que a diversidade não é apenas um valor social, mas um ativo estratégico para o nosso desenvolvimento em condições justas. Os ambientes que respeitam a diversidade são mais inovadores, a gente sabe disso, são mais seguros e mais eficientes também. Tem estudos, inúmeros estudos internacionais que associam a diversidade a melhores resultados organizacionais e maior capacidade de adaptação em setores complexos. E quer um setor mais complexo que o setor marítimo? Difícil, né? Tem alguns, mas é um setor bem complexo. O dia 18 de maio foi adotado pela Comunidade Marítima Internacional como o Dia das Mulheres no Setor. E o Brasil, nesse sentido, vai se posicionar de forma coerente com os compromissos globais na promoção da equidade de gênero com esse alinhamento. E mais do que isso... Fortalece uma imagem institucional e demonstra maturidade institucional a tratar o tema como política pública. Mas é importante destacar que uma data por si só não transforma as realidades, não muda a vida da marítima que está lá a bordo ou trabalhando com um navio. Ele precisa ser acompanhado de ações concretas. Eu trago aqui algumas reflexões que eu considero fundamentais. Precisamos avançar na formação e no acesso, garantir que mais mulheres ingressem nas carreiras marítimas. E para isso precisamos que a profissão e as condições de trabalho sejam atrativas. para que novas gerações, que outras gerações, novas gerações se interessem pela profissão, e isso nos leva ao próximo ponto dessa... dessa trajetória, olhar para a permanência. Essa permanência envolve desde infraestrutura adequada a bordo, porque Não sei se alguns de vocês já souberam, mas, por um tempo, não tinha nem condições de infraestrutura adequada para mulheres a bordo. Só tinha homem. Então, muitas embarcações tiveram que ser adaptadas para não se receber. Até políticas que considerem, por exemplo, a maternidade, o ciclo de carreira e o desenvolvimento profissional contínuo. Lembrando que temos aqui, né, Jandira, nessa casa há muito tempo, um PL que trata sobre o tema e aguarda a apreciação. Precisamos também enfrentar questões culturais. Ambientes historicamente masculinos exigem mudanças intencionais, que passam por formação de lideranças, combate a práticas discriminatórias e promoção de uma cultura de respeito. E precisamos, sobretudo, garantir que essas mulheres não apenas ocupem espaços, mas que possam crescer, liderar e influenciar os rumos do setor. Ao longo da minha trajetória no setor marítimo e também na atuação do sindical, eu tive a oportunidade de acompanhar de perto esses avanços e também... Mais ainda, os desafios. O que eu vejo é muito claro. Temos mulheres extremamente qualificadas, comprometidas, resilientes, mas também vemos barreiras que ainda precisam ser enfrentadas e superadas. E é justamente por isso que esse projeto é tão importante. Ele dá um sinal, Jandir. Ele mostra para a sociedade e para as instituições, e principalmente para as novas gerações, que o setor marítimo também é um espaço para mulheres. Ele inspira jovens que muitas vezes nem consideram a carreira porque não se veem representadas. profissão, né? Ela reconhece também as que vieram antes de nós, que abriram caminhos, muitas vezes enfrentando condições muito difíceis. E ele cria um momento todos os anos para a gente parar e refletir, avaliar o que avançou, mas principalmente renovar os nossos compromissos com o que está por vir. Celebrar o Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo. É não somente prestar uma homenagem, é mudar a forma como o setor é visto, é ampliar o olhar sobre quem pode estar ali, é reafirmar que esse espaço também nos pertence. E mais que isso, é contribuir para um setor marítimo mais justo, mais diverso e mais adequado para os desafios que temos pela frente. Eu quero encerrar aqui, reforçando o meu agradecimento à deputada Jandira Feghali pela condução desse tema e por abrir esse espaço de diálogo que para a gente é tão importante e tão caro, tá, Jandira? de um compromisso contínuo com a transformação, porque quando a gente amplia a participação das mulheres, a gente está não somente corrigindo... uma desigualdade histórica. A gente está fortalecendo todo o setor, independente dele. Muito obrigada. Obrigado.
Deputada
Cecília, só para registro formal, porque essa sessão está na internet, está sendo gravada. Essa audiência é uma exigência do artigo 2º, da Lei nº 12.345, de 2010, que fixa critério para a instituição de datas comemorativas. Isso é para registro formal aqui da audiência pública. Você estava falando, Cecília, e eu até fiz uma pergunta aqui baixinha, para Lorena, se já tem professoras no SEABA e no SEAGA. mulheres. Seria legal você registrar isso, porque eu conheci o CIAB e quando eu conheci, não vi. mulheres formando, por isso que eu estou perguntando.
SECRETÁRIA DE ECONOMIA DO MAR DA CTB-RJ
Temos professores, temos o corpo... no corpo docente. Temos também instrutoras mulheres, que é muito importante para as alunas também verem instrutoras e terem no dia a dia mulheres oriundas da profissão é muito importante para essa questão de reconhecimento e pertencimento. Ciaga também tem. Ciaga também. Ótimo.
Deputada
Maravilha, que são as duas grandes escolas, que é em Belém e no Rio de Janeiro. Obrigada, Cecília, pela sua fala, pelo reforço aqui. da importância da mulher no setor, E passo a palavra a Lorena Pintor Silva, diretora de Gênero e Juventude da CONTIMAF, Confederação Nacional de Trabalhadores. em transportes marítimos, aquaviários e... Fluviais, não é isso? Até esque-nos pronto. É, na pesca e nas portas. É isso. Boa tarde.
DIRETORA DE GÊNERO E JUVENTUDE DA CONTTMAF
Boa tarde a todos que nos acompanham remotamente, que estão aqui presentes. É uma satisfação imensa, Jandira, estar aqui lado a lado com você, que eu acompanho há muito tempo o seu trabalho aqui na Câmara. Tenho uma admiração profunda e queria agradecer muito por você ter acolhido o nosso projeto, não só por esse projeto, e por tudo que você vem fazendo pela Maria Mercante e pela Indústria Naval todos esses anos. Eu queria começar a minha fala de um lugar muito pessoal. Quando, para falar um pouquinho de como eu cheguei a bordo, eu ouvia, e eu nunca esqueci isso, que para estar a bordo a gente tinha que ser um pouco louco, a gente não podia ser muito normal. Aqui tem. E, de certa forma, fazia sentido, porque a vida embarcada não é simples, São meses longe da família, dos filhos, dos amigos, longe da nossa rotina, da nossa vida em terra. É um ambiente confinado, intenso, onde convivemos com pessoas que, num primeiro momento, a gente não conhece, mas que, às vezes, viram amigos para a vida toda. A gente aprende a dividir espaço, saudade, responsabilidade, aprende a confiar e aprende a resistir. Mas quando essa experiência é vivida por uma mulher, ela ganha camadas a mais. Porque além de todos esses desafios, que são comuns a qualquer marítimo, nós mulheres enfrentamos outros, muitas vezes invisíveis para quem está de fora. Somos minoria a bordo e isso por si só já muda tudo. Ser minoria significa muitas vezes ser observado o tempo inteiro. e precisa provar todos os dias que merece estar ali. Enquanto um homem pode ser apenas mais um profissional, a mulher frequentemente precisa ser melhor, mais forte, mais resistente, para ter o mesmo reconhecimento. Existe uma cobrança silenciosa, mas constante, por desempenho acima da média. Como se o erro não fosse permitido, como se representar o nosso gênero fosse uma responsabilidade individual de cada um de nós. E, infelizmente, essa não é a nossa única dificuldade. Muitas mulheres já enfrentaram situações de desrespeito, isolamento, bullying, em alguns casos até assédio. Também lidamos com desafios estruturais, como já comentamos aqui. falta de instalações adequadas, ausência de políticas claras de acolhimento, pouca representatividade em posições de liderança, dificuldade de conciliar maternidade com a carreira e, muitas vezes, a solidão de ser a única mulher a bordo. E mesmo assim nós seguimos, seguimos trabalhando, aprendendo, liderando e abrindo caminhos. E é importante dizer, ninguém faz isso sozinha. Ao longo desses 25 anos de mulheres a bordo no Brasil, o apoio institucional teve e continua tendo um papel fundamental. O Sindimar, a nossa federação, a FNTTAA e a Contimaf têm sido parceiros importantes nessa caminhada, dando visibilidade às pautas das marítimas, acolhendo denúncias, promovendo debates e lutando por melhores condições de trabalho, mais segurança e mais igualdade de oportunidades. Esse suporte faz toda a diferença, porque fortalece quem está lá na ponta, muitas vezes enfrentando esses desafios de forma silenciosa. E é por isso que discutir a criação do Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo no Brasil é tão importante. Não se trata apenas de uma data simbólica, se trata de reconhecimento, dar visibilidade a histórias que por muito tempo ficaram invisíveis. De dizer de forma clara que as mulheres pertencem a esse espaço. Se trata também de inspirar. Porque quando uma menina vê que existem mulheres no mar, nos portos também, que temos muitas portuárias, liderando máquinas, liderando equipes, ela passa a entender que esse também pode ser o lugar dela. E se trata principalmente de compromisso, compromisso com o setor mais justo, diverso e mais humano. Compromisso com políticas que garantam segurança, respeito e igualdade de oportunidades. Criar esse dia é reconhecer que ainda há desafios, mas também é afirmar que estamos dispostos a enfrentá-los. Eu tenho muito orgulho de fazer parte dessa transformação. E ainda tenho mais orgulho ainda de todas as mulheres que vieram antes de mim, que abriram portas em condições ainda mais difíceis, e de todas que estão hoje a bordo, resistindo, conquistando espaço e fazendo história todos os dias. Que esse dia não seja apenas uma celebração, mas um marco de reflexão e de ação e de mudança. E eu queria reforçar muito isso, que a gente, às vezes, a bordo tem que... O trabalho é o dobro... para ter o trabalho reconhecido como de um homem. Eu ouvi isso de um comandante, muitos anos atrás, ele falou textualmente isso, no primeiro dia que eu pisei a bordo. Você vai ter que fazer o dobro... para ser reconhecida. Então, é uma questão até de mudança cultural também. A gente precisa ir batendo nessa tecla para Mudar mentes e corações. E agradeço mais uma vez, Jandira, se abriu esse espaço para a gente. Obrigado. A senhora Cristina...
Deputada
A menina ainda não chegou. E a Érica... informou que não consegue chegar. Mas, Lorena, você, Cecília e a Lilian, trazem Você estava falando da sua trajetória, eu estava lembrando da minha. Porque essa coisa da presença da mulher em espaços a priori montados para os homens, como o próprio parlamento e a própria política, identificam muito essa conversa, porque aqui a gente, para se firmar, também tem que ter Tem que trabalhar o dobro. tem que ter uma capacidade de argumentação diferenciada, tem que ter uma atitude que determine a distância... ideal, né, com os colegas, exatamente para não ter assédio, brincadeira errada... Qualquer deslize é muito mais difícil, né? E a gente, por muito tempo, passou no Parlamento sem banheiro feminino, quer dizer, as instalações não existiam porque as mulheres não faziam parte desse cenário. tanto na Assembleia do Rio como aqui, no Congresso Nacional. E a licença maternidade, a minha foi a primeira licença do Parlamento Brasileiro Porque houve luta, porque ela foi inicialmente negada. Então, quando eu reporto, assim, nessa analogia, para a vida a bordo, eu vejo como é muito pior, porque pensar o pré-natal com você a bordo, por exemplo. Eu aqui consigo ver a minha família toda semana. mesmo tendo que vir e voltar toda semana. mas aborda isso que você disse, é uma distância. imposta para todos. para o seu trabalho que distancia da família distancia do exame de saúde, distancia da possibilidade de uma convivência cotidiana numa rotina socialmente... construída então é assim jogando a analogia para mim e devolvendo para vocês, Eu tenho um respeito enorme pelo que vocês fazem, pelo pioneirismo que vocês têm, pela abertura de caminho, inspiração que vocês... geraram e a necessidade, eu registrei bem isso, do apoio institucional. que não é só das entidades, mas tem que ser nosso também aqui. do parlamento brasileiro, dos governos, E por isso esse projeto da licença maternidade, quando nós entramos com ele, O debate foi complexo, porque ninguém entendia como exercer a licença matemática, era mudar de função... e para o administrativo. ter a garantia do exame pré-natal, que tem que ter Então, não é uma discussão sim, mas nós precisamos regulamentar isso como política de Estado, porque essa é uma garantia. institucional. que vocês precisem ao mesmo tempo estarmos abertos às denúncias que vocês possam trazer sobre assédio e outros tipos de de crime que podem ser cometidos contra as mulheres. Abordo. Então, existe procuradoria da mulher no parlamento, acho que é um espaço. que vocês também poderiam utilizar como como o espaço de vocês, né? Além de tudo aquilo que vocês precisam de apoio, que nós estamos aqui completamente abertos. Esse dia nacional, o dia, como é o 8 de março, que virou uma data também mundial, desde que ele surgiu, ele provoca, em geral, um mês de debate. provoca no Parlamento a aprovação de dezenas de projetos, Então, instituir uma data que realce o papel de vocês e a presença de vocês e a valorização do trabalho das mulheres no setor marítimo é a possibilidade de provocar períodos de debate. O dia, ele provoca em torno dele um debate prioritário dos temas, das necessidades, das lutas e das respostas que a gente precisa dar. Então, a data comemorativa precisa ter este papel, como vocês disseram. Não é um dia de celebração. mas é lembrar também a nossa agenda, as lutas que precisam ser desenvolvidas, e tudo aquilo que precisa ser conquistado, para além daquilo que você já obtiveram. É um momento de questionamento. de parlamentares Não haverá esse questionamento aqui. e Pergunto se Lilian quer voltar a falar algo, e também Lorena e Cecília. para que a gente possa constituir aqui o fechamento da nossa audiência pública E a possibilidade com essa audiência do projeto seguir e da gente poder seguir com outras pautas que interessem a mulher do setor marítimo. Lilian, você quer voltar? Falar alguma questão? Perfeitamente, deputado.
DIRETORA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DA CHOUEST NO BRASIL
Todas essas falas... elas remetem muito a essa situação de falta de reconhecimento da mulher em ambientes de trabalho, predominantemente masculinos. Mas é fato estatístico o bom desempenho que acontece com as mulheres, porque essa dedicação a gente tem que sempre provar para além, do razoável para além do esperado, sob pena de você não perder a posição, sob pena de ser a sua posição questionada, por que colocar uma mulher cota, essas brincadeiras que na verdade elas vêm imbuídas de muito preconceito, de muita discriminação. de engolir muito sapo, muitas brincadeiras inoportunas, assédios. Hoje eu já estou mais velhinha, mais escolada, mas sofri bastante no meu início de carreira. Formação de advogada, um ambiente que é misto, mas logo ingressei no setor marítimo e, de fato, éramos a exceção. foi conquistada, ela não foi simplesmente concedida. Então, nós aqui hoje termos esse reconhecimento através de se firmar um dia específico para a mulher do setor marítimo, me invaidece e fico muito agradecida de ter a oportunidade de fala nesse momento. Muito obrigada, Lilian.
Deputada
Olha, você quer. Bom, Jandir, aproveitando...
SECRETÁRIA DE ECONOMIA DO MAR DA CTB-RJ
Tocar nessa questão da licença, eu acho que é importante aproveitar esse espaço e trazer a importância da atividade sindical, né Lorena? Porque hoje as marítimas que estão gestantes... elas conseguem ir para casa ou fazer um trabalho A... administrativo, muitas vezes inclusive de forma virtual graças aos acordos coletivos de trabalho. Então, hoje, o único instrumento legal que garante a mulher marítima ter a sua gestação, fazer todo o seu pré-natal e mais, não perder nenhum benefício que ela tem estando embarcada, são os acordos coletivos de trabalho. Isso é uma questão importantíssima. Isso é vital para o ingresso e permanência das mulheres na profissão. Mas é importante, embora seja um trabalho muito importante, é importante que a gente traga esse assunto novamente para a sociedade. É importante que a gente consiga seguir com esse projeto ou outros, enfim, que possam olhar para esse ponto de maneira mais estrutural. suas carreiras. são os acordos coletivos de trabalho. Hoje, falando especificamente sobre o Sindimar, que é um sindicato que você conhece, é muito amiga há muitos anos e é uma pessoa importantíssima para o Sindimar, para a Contimaf, nós temos hoje essa cláusula, que a gente chama de cláusula da marítima gestante, em 100% de onde direto dos nossos acordos coletivos de trabalho. E aí em paralelo com a sua vida profissional, mas hoje o que garante isso são os acordos coletivos de trabalho. Seria muito um avanço, um passo muito importante que a gente consiga trazer essa... conversa para a sociedade, debate para a sociedade trazer de forma mais institucional. Obrigado. Obrigada, Cecília. Até dizer que...
Deputada
Nós estamos aqui na luta pelo fim da escala 6x1. que, obviamente, na aplicação ao setor de vocês, vai ter que ter um outro formato. Porque quem está embarcado não tem como folgar, né? Porque vocês folgam dentro do navio, ou seja... Não sei como é que vocês fazem dentro da embarcação, as folgas e trabalho. Tem as escalas, então nós vamos ter que ver como adaptar. Se aprovarmos a emenda constitucional em vez do projeto de lei, nós vamos ter que regulamentar em lei de qualquer maneira. E a legislação que a bancada do PCdoB fez e que o governo encaminhou... ela gera o espaço da especificidade garantindo o máximo de 40 horas semanais, mas gerando a possibilidade que nas especificidades sejam acordadas, né? Mas é óbvio que precisa ter uma legislação, uma política de Estado para garantir que o negociado não seja inferior ao legislado. Quer dizer, não seja... O negociado, às vezes, quer estar superior ao legislado, ele não é bom para o trabalhador. então é preciso que tenha uma combinação entre uma política de Estado e e o que é negociado no acordo coletivo, que, obviamente, É igual a enfermagem, ela faz 12 por 36. Vocês vão ter também a aplicação dessa legislação de uma outra forma. Inclusive, agora, no 1º de maio, será a pauta central... das centrais sindicais. E em relação à licença maternidade, o que você disse? Hoje você tem 100% de acordo coletivo, amanhã pode não ter. Então é muito importante a cobertura da legislação para que não haja nenhum tipo de retrocesso em conjunturas diferenciadas. Porque a conjuntura às vezes muda e você perde Até o dono da empresa, o sócio majoritário, muda de posição. o sindicato, o Sindarma pode mudar de posição E aí os acordos não serem tão benéficos. Então, é muito importante que a gente traga para a legislação também, para uma política de Estado, esse tipo de... de proteção à gestante, à mulher gestante e ao neonato, que precisa dar... da licença da mãe e do pai perto também, né? Porque nós já ampliamos a licença-paternidade aqui também. Lorena. Obrigado.
DIRETORA DE GÊNERO E JUVENTUDE DA CONTTMAF
...tendo esse tema, nós somos hoje referência no mundo, nos países que têm mais avanço no setor marítimo de percentual de mulheres. E muito se deve a esses avanços, a nossa escala de trabalho também. Então, para se ter mulher a bordo, ela tem que ter condições de estar a bordo, senão não vai estar. E só deixar registrado que a gente discutiu muito essa questão do... do nome da data, do dia da mulher no setor marítimo, porque nós estamos em várias posições do setor, não só a bordo, como em terra, nas inspeções, as portuárias também. Então, a gente queria deixar registrado aqui que estão todas abraçadas nessa data. É só isso. Eu sou Lorena e eu quero...
Deputada
Afinal, realçar o que eu fiz no início Cecília, que é o papel das entidades sindicais. Eu diria que tem um trabalho sindical que eu vejo de uma forma assim... incrível que é o trabalho das entidades sindicais desse setor. que são sérias, têm um índice de sindicalização altíssima. tem um olhar grande, um olhar estratégico, olhando muito à frente. Nós somos referência na OIT. também nesse setor. Então, eu penso que valorizar esse trabalho sindical é muito importante e, num momento em que os sindicatos estão muito prejudicados pela falta do imposto sindical, uma série de contribuições... A sindicalização alta que vocês têm é... É decisiva que o sindicato e a confederação continuem tendo a atuação que tem. E a representação também na Federação Internacional, que vocês têm, que não é... Não é pouco expressivo, é muito expressivo e muito importante. na articulação internacional do setor, que é um setor muito internacionalizado também. A gente preserva a soberania, mas é um setor... Não é à toa que a Lilian está lá na IMO agora. É um setor muito internacionalizado que precisa muito da nossa... Então, eu quero agradecer às senhoras convidadas pela contribuição para a discussão do tema. A possibilidade que a gente conclui hoje de ter o avanço... do projeto a presença de todo mundo e, nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a presente reunião. E cumprimos aqui o que a legislação exige para seguir com o nosso projeto. Muito obrigada. Obrigado. Muito obrigada. Boa tarde a todas.



