COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA
Sobre o Evento
Comissão discute a falta de médicos geriatras no Brasil com diversos especialistas e representantes do Ministério da Saúde e da Educação.
Conselheiro federal peleo estado da Paraíba - Conselho Federal de Medicina
A mesa aí a todos que estão também virtualmente, dizer que pra nós é 1 grande satisfação, o interesse da casa, dessa comissão em discutir este tema, e deputado, a gente precisa fazer 1 reflexão sobre a própria cultura no nosso país do que se diz respeito à atenção primária à saúde e da atenção básica, porque infelizmente tudo o que é primário, tudo o que é básico geralmente não é tão valorizado. E acho que o maior erro talvez seja o primário e o básico ter esse nome, porque remete a 1 coisa que é muito simples, quando na verdade é o mais importante. Se nós tivéssemos 1 atenção primária e básica fortalecida, 80 por 100 das doenças sequer precisariam ser tratadas por outros especialistas que não próprio médico de família. E obviamente, nós temos essa lacuna no nosso país pela falta de investimento. Eu que além de ser conselheiro federal de medicina também presido hoje o Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba, fiscalizo as unidades básicas de saúde, e vejo o quanto que é degradante a situação das nossas UBSs, as tecnologias elas não entram como investimento nessas unidades, nós temos aí às vezes hospitais com PETscans, mas às vezes está faltando ali na periferia o médico que deveria fazer a prevenção e o tratamento das doenças mais simples, então isso já é 1 inversão de valores. Quando nós estamos aí no SUS, e com o próprio SUS, nosso Sistema Único de Saúde, sistema público, e também no privado, a gente deveria estar digamos investindo mais em quem faz a tensão primária, a tensão básica, ou em especialidades como a pediatria, como a geriatria, que são especialidades que demandam tempo de consulta maior, mas nós valorizamos mais quem faz de repente 1 cirurgia complexa, não que não devesse, não devesse valorizar, mas a subvalorização dos demais faz com que realmente haja desinteresse pra estas áreas que são fundamentais, como já foi bem discutido. Nós temos aí também a necessidade pelo Ministério da Educação, da ampliação das vagas gerais de residência médica, nós temos 43000 médicos formados por ano e somente 16, 17000 vagas de residência, então de 1 forma geral nós precisamos acompanhar esse número, em países como por exemplo Canadá, Estados Unidos, Europa ou até mesmo outros países como a própria China, nós temos mais vagas de residência médica do que de formados, sabe por quê? Porque ele já sabe que outras pessoas de outros países irão procurar se qualificar lá. Então nós temos que ter mais vagas de especialistas do que de formados, e infelizmente essa está longe de ser nossa realidade, 16000 vagas, repito, 43000 médicos. Então o que é que nós estamos formando? Além da gente conseguir formar muito médico, sem avaliar a sua qualificação, e por isso que também é necessário fazer a prova de proficiência, nós não estamos dando oportunidade de especializar esses médicos. E pra geriatria, nós temos aí pouco mais do que 3 centenas de vagas. É muito pouco quando a gente precisa aí de quase 30000, como já foi bem explicado pela própria organização mundial de saúde. E eu apelo mais 1 vez pra questão da formação mais objetiva. Hoje pra você ser geriatra, você tem que passar numa prova de residência de clínica médica, fazer 2 anos, depois fazer outra prova de residência e fazer mais de 2 anos. São 4 anos de formação, são 2 provas a serem prestadas, pra quê? Pra ser desvalorizado pelo SUS, pra ser desvalorizado pelo privado, ter tempo de formação mais longa, e ainda assim enfrentar todos os problemas da geriatria como já foi bem falado por todo por todos que me antecederam. Então é nisso que a gente precisa refletir, no nosso papel enquanto país pra valorizar realmente aquilo que é primário e básico como mais importantes, e essa valorização não é só 1 valorização financeira, ela também é estrutural, ela também é 1 valorização do próprio profissional, e fazer com que haja melhor qualificação na graduação, 1 melhor qualificação na pósgraduação, com o tempo mais curto de formação, não significa dizer que esse tempo mais curto vai ser tempo menos qualificado, vai ser tempo bem qualificado, bem aproveitado justamente pra formação da medicina do envelhecimento. Muito obrigado mais 1 vez pela oportunidade, o Conselho Federal de Medicina continua aqui à disposição do debate, espero vêlos pessoalmente numa próxima oportunidade, né, que nada melhor que o contato pessoal, mas graças a Deus que a tecnologia nos permite pelo menos assim fazer esse debate importante. Obrigado.




