COMISSÃO ESPECIAL SOBRE TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E PRODUÇÃO DE HIDROGÊNIO VERDE

25 fev. 2026 14:06 às 19:01

Sobre o Evento

A comissão debateu estratégias para a transição energética e o desenvolvimento do hidrogênio verde, focando na construção de uma proposta legislativa coletiva e aprimorada pelo consenso parlamentar.

Status
Concluído
ID: 81025Total: 51 discursos
#14
Professora Titular da Universidade de São Paulo e Líder da Força Tarefa de Biocombustíveis para a Descarbonização do Transporte da Agência Internacional de Energia (Task 39) - Agência Internacional de Energia (Task 39) e Universidade de São Paulo Glaucia Souza
Glaucia Souza

Professora Titular da Universidade de São Paulo e Líder da Força Tarefa de Biocombustíveis para a Descarbonização do Transporte da Agência Internacional de Energia (Task 39) - Agência Internacional de Energia (Task 39) e Universidade de São Paulo

Transcrição automática

Boa tarde, estão me ouvindo? É um grande prazer iniciar essa conversa sobre segurança alimentar, que foi... O meu desafio hoje... Muito obrigada, deputado... Muito obrigada, deputado Alceu e vários outros colegas da Câmara. É um grande prazer. Eu queria fazer um agradecimento especial ao embaixador André. Talvez ele não se lembre disso, mas ele me provocou a estar nessa seara de conversar sobre o Brasil da maneira que os outros nos veem em 2016, trazendo a ciência para essa... para esse debate internacional e mostrando como é que a gente é visto, porque sustentabilidade não basta ser sustentável, precisa parecer sustentável. saber colocar os nossos dados, os nossos achados, a nossa cultura, o nosso modelo de agricultura da maneira correta para que o mundo entenda, porque eles muitas vezes têm até boa vontade, mas não entendem o que a gente está fazendo. Então, hoje eu vou mostrar resultados... saiu do ar aqui. Obrigado. Obrigado. Está funcionando aqui, eu posso... Obrigado. O que eu só glócio já a nossa exceção? Já vai resolver. Vou adiantando aqui. Eu vou mostrar resultados que não são a narrativa de um único país, ou de um único artigo, ou de um único estudo. A gente fez uma síntese do conhecimento, começando há muitos anos atrás, mas recentemente a gente retomou essa iniciativa de tentar fazer meta-análises usando estatística, alguns dados são já com inteligência artificial, olhando inclusive a oposição, quais são as palavras, o que está sendo falado para que a gente consiga debater e elevar o discurso nesses fóruns internacionais, onde a gente muitas vezes é atacado por uma linha que está num artigo, que é colocada fora de contexto, que é propagada em notícias, sem saber o que realmente estava por trás do estudo. Então, a gente começou a tentar fazer uma análise mais robusta do que é o contexto da segurança alimentar. Eu posso tentar. Então, nesses códigos Ops. Então... tem um direito. Obrigado. Então, se vocês quiserem fotografar esses códigos QR, vocês são remetidos a páginas que mostram todo o levantamento bibliográfico e o racional, atrás daquilo que a gente está falando. O que a gente está querendo é informar políticas usando dados não só de artigos científicos, mas esses grandes relatórios internacionais, de agências reconhecidas. E muito do que eu vou falar vem... da Força-Tarefa de Descarbonização do Transporte da Agência Internacional de Energia e de outras forças-tarefas também da Agência Internacional de Energia. Tudo está em aberto, dá para vocês olharem. Existe um estudo recente que demonstra que a gente ouve muito falar de eletrificação, mas... A trajetória, aparentemente, da eletrificação está mais clara nos Estados Unidos, na Europa e na China, mas no resto do mundo, são os biocombustíveis que são esperados para descarbonizar principalmente o transporte. Então, a gente começou a focar em tentar identificar o que a gente já conhece de trajetória que tem comprovou que dá para fazer descarbonização usando biocombustíveis. Eu vou falar do Brasil, mas eu não estou falando do Brasil como... vamos celebrar o que o Brasil já conseguiu fazer. Eu estou usando o Brasil como um teste de uma pergunta. Será que a gente olhando para o que aconteceu no Brasil, já que a gente tem tanta ciência olhando para os nossos dados, Será que dá para a gente concluir que os biocombustíveis são sustentáveis. E aí eu vou ampliar essa pergunta para outras pessoas. Então, vocês já conhecem o Brasil, um exemplo de renovabilidade, mas os 25% de renovabilidade no transporte é ponto fora da curva. A gente conseguiu fazer isso com o etanol, e mais recentemente com biodiesel, e chegou a 1,4 bilhões de toneladas de CO2 evitadas com etanol nos 50 anos e 0,2 com o biodiesel nos 20 anos. Mas o mais importante é o paralelo do que mais a gente fez, porque o Brasil, nesses 50 anos, ele se tornou de importador de alimentos para exportador de alimentos. a gente elaborou e institucionalizou o Código Florestal, que também é um ponto muito importante nessa trajetória. E depois vocês vão ver que as trajetórias se unem, porque na hora que a gente tem o RenovaBio atrelado ao Código Florestal, a gente tem uma narrativa muito importante de legislação, que eu acho que aí sim é importante talvez ser copiada. Mas o deputado Arnaldo... me convidou para falar dessa narrativa de que dizem que os biocombustíveis competem com a segurança alimentar. Se você realmente começa a olhar os artigos, as notícias, as declarações, elas partem... É... de uma tentativa de simplificar a questão, que usa Na teoria dos jogos... um tipo de jogo que se chama "jogo de soma zero". Não... Não tem como a gente enquadrar bioenergia Versos. segurança alimentar como um jogo de soma zero. Não é Um jogo de somar zero é... Um time ganhou, então, necessariamente, alguém perdeu. Isso não funciona, é simplificar demais. Pode funcionar para narrativa, mas não funciona na realidade. A gente não consegue enquadrar nada disso. Por quê? conseguimos, com a produção de biocombustíveis, melhorar o acesso à energia, o poder aquisitível, aquisitivo, melhorar a sustentabilidade da agricultura e saúde dos solos. Eu vou tentar resumir, mas existe uma meta-análise que usou dados estatísticos, porque tem tanto artigo científico até agora sobre esse assunto, que conclui que não há correlação, ponto, ponto. não existe correlação entre segurança alimentar É... produção de biocombustíveis, C. a biomassa for comestível ou não comestível. Não tem, não importa se ela é alimentar ou não alimentar. Mas tem outras coisas que dá para ver com esse estudo. dá para ver que o preço dos alimentos às vezes aumentam associados à produção dos biocombustíveis, mas em poucos casos. mas aumentam em países de alto nível de desenvolvimento social. Quando você olha os países de baixo nível de desenvolvimento social, Não existe essa correlação. Quando a gente vê também alteração de segurança alimentar relacionada com produção de alimentos, a gente vê que melhora em países baixo nível de desenvolvimento social. E quando a gente olha os artigos que dizem que vai alterar a produção de alimentos ou vai alterar o preço dos alimentos, você usar uma cultura alimentar para fazer biocombustível, normalmente vem de uma modelagem, não é uma observação. Ok? Então, as modelagens, elas usam muitas assumem muitos cenários, muitos números, muitos... Elas, na verdade, precisam Sempre que você for olhar... Não estou falando mal de modelagem, porque a gente também faz modelagem, mas tomem cuidado com o que vocês estão assumindo. E olhem como a conclusão está sendo gerada quando estão falando que existe essa implicação negativa dos biocombustíveis na narrativa. Quando a gente olha o que realmente está acontecendo, vou citar aqui um artigo, Brasil, ok? Não existe trade-off, não existe essa troca entre produção de biocombustível e... segurança alimentar. Isso aqui é dado usando dados do IBGE utilizando dados de mais de 5 mil municípios e dados domiciliares. Esse trade-off, essa troca não existe. Dados brasileiros. O que altera? Altera acesso à energia, infraestrutura agrícola, poder de compra, modernização da agricultura e qualidade do solo. Eu acho que vou... pular isso aqui, porque vocês já falaram, os deputados já falaram, a gente sabe que biocombustíveis têm um impacto enorme no desenvolvimento socioeconômico dos municípios associados e do Brasil. Isso aqui, eu vou falar porque é pouco falado, mas o SDG de acesso à energia está estagnado. Isso são dados da IA e da IWINA. A gente não está conseguindo mais aumentar acesso à energia no mundo, Essa falta de acesso ocorre principalmente nas zonas rurais. E a bioenergia aumenta o acesso à energia. Então, isso aqui é um ponto que acho que a gente tem que falar mais sobre... sobre isso. Eu acho que talvez vocês já conheçam muito esse dado. A gente recompôs as paisagens degradadas, transformando pastagem degradada em cultivo à cana-de-açúcar, por exemplo. A gente alterou a quantidade de carbono no solo e recompôs o solo. Ele agora está pronto. Se precisar produzir alimento ali, pode ser utilizado. E isso aqui é uma coisa que a gente está olhando com bastante carinho, porque eu acho que isso entra bastante dentro da agenda... de pesquisa brasileira, que é muito forte nessa área e que a gente precisa divulgar mais. A gente, com o valor agregado, da produção de biocombustíveis, a gente conseguiu trazer modernidade para a nossa agricultura. Aumentou muito a sustentabilidade, trazendo novas práticas. O que diz se um biocombustível é sustentável ou não, não é intrínseco ao biocombustível. É. Como você produz o biocombustível? E isso a gente tem sempre que... tentar promover o contexto local, porque vai depender de usina, de região, de país e de biocombustível. Então, não importa isso. Não pode... Eu acho que a gente tem que ser agnóstico. e evitar colocar rótulo em... biomassa, que essa é boa ou essa é ruim. Isso não existe. Então, isso é uma campanha, eu acho, que a gente vai ter que fazer internacional, porque estamos sendo rotulados. É... O Brasil fez uma evolução enorme na agricultura. Vou citar o duplo plantio, o cultivo duplo de cana, com amendoim de soja, com milho, isso aumenta de 1,6 vezes a 2 vezes a produtividade. Se você está falando para uma audiência que pensa que biomassa leva 20 anos para crescer, e a gente está fazendo três vezes por ano até colheitas É difícil eles entenderem isso, então, realmente, a gente tem que ficar repetindo, repetindo, repetindo. Eu acho que vou passar por isso aqui, porque eu odeio falar de iLook. Se alguém quiser falar sobre iLook, vocês me procurem, porque eu tenho pouco tempo e odeio falar de iLook, porque eu não concordo com o termo. Mas eu vou falar isso aqui, acho que a gente sempre tem que falar, que o Brasil atrela... A nossa maneira de lidar com o iLook, que é a mudança indireta de uso da Terra, é... legislativa, ela está atrelando o Renovabil ao Código Florestal. Ponto. Se pudermos comprovar isso e tiver rastreabilidade, Está resolvida a questão, mas é muito mais complexo do que isso, porque muitas certificações internacionais vão querer esse... esse cálculo de iLook. É... E aí eu já estou terminando. Tudo isso que eu estou falando, a gente na IA Bioenergy, na Fosso Tarefa 39, a gente quis olhar se dá para ser feito em outros países ou se já está sendo feito em outros países e usou o número de multiplicar 2,5. Cinco vezes, não era quatro. 2,5 vezes, que é o cenário da neutralidade de carbono da Agência Internacional de Energia. Olhamos as políticas, o foco era a SUGlobal, E a gente... Aí caiu de novo. Nessa hora... Eu sei lá, mas o que eu tenho? Então, a gente analisou países que estão em crescimento acelerado e que, se eles crescerem nas taxas que estão crescendo, eles vão... usar mais, eles vão emitir mais que os países da OCDE, Ok? Então, eles são... importantes É... Sul global: Argentina, Brasil, Colômbia, Guatemala, África do Sul, Etiópia... China, Índia, Tailândia, Malásia e Indonésia. E a gente fez uma análise integrada de viabilidade tecnoeconômica, de análise de ciclo de vida, de uso da terra. A nossa proposta era usar só a área de pastagem. Então, zero desmatamento. O que é que dá para a gente avançar usando a área de pastagem? Mais um Aqui. E a gente chega ao cálculo de mais de 100 bilhões de litros de biocombustíveis. Aqui entra: cana, soja, milho, palma, etanol e biodiesel. E a gente compara com os combustíveis, com a pegada de carbono dos combustíveis de cada país, usando as produtividades de cada país e as culturas que os países já fazem. A gente não está inventando nada, não vamos fazer nada diferente. A tecnologia que já existe, ok? a gente conseguiria com esses países fazer quase metade daquilo que a Agência Nacional de Energia fala que a gente tem que fazer, com 11 países. Não precisa dos 200. A gente conseguiu chegar em uma conta aí... Bem moderada, viu? Eu estou falando de mistura de etanol e biodiesel em gasolina e... Dizem. E aí, mapa do caminho. A gente se debruçou como Task 39, a gente participa da Agenda do Clima. Participou dos planos de aceleração de solução. E isso aqui é... O mapa do caminho segundo as tecnologias que a gente está já debruçados sobre. Pista 1 desse mapa do caminho, biocombustíveis convencionais e... escalonar o que funciona agora. A pista 2, construir o que vem a seguir. Ali vem os biocombustíveis avançados, os emergentes. O próximo, por favor. Estou com medo de apertar aqui. Então, na pista convencional, vocês já conhecem bioetanol, biodiesel, diesel renovável, usar infraestrutura existente, os dutos, os veículos, as refinarias e as biorrefinarias que já temos... A pista A1 vai rápida, ela é econômica, descarboniza a frota cativa, Mandatos de mistura veículos flex híbrido a etanol, por exemplo. já conhecem os impactos múltiplos que fazer isso geram. A pista 2, ela precisa de investimento, ela vai levar mais tempo, é o SAF, é o biometano, é o biometanol, a gente precisa desenvolver novas cadeias de suprimento Entra aí. a eletricidade complementando toda essa síntese e entre o becos. captura e sequestro de carbono. Aí a gente vai para os setores difíceis, aí a gente vai gerar moléculas de alto valor. Então, a gente também captura valor adicional. Então, o mapa do caminho está aí. A gente precisa ter agora essas seguranças adicionais que eu já reportei. A gente precisa medir, reportar, verificar tudo aquilo que eu falei, está listado aí, dá para a gente fazer. Eu fico feliz de estar aqui podendo adicionar esse debate. Obrigada. Aplausos.

25 de fev, 15:56