CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS

24 mar. 2026 17:22 às 19:23

Sobre o Evento

O evento debateu o Plano Nacional de Juventude, enfatizando que a saúde mental é indissociável de questões socioeconômicas, estruturais e territoriais. Especialistas e parlamentares destacaram a influência do racismo, do patriarcado e da precarização na vulnerabilidade de jovens negros, indígenas e quilombolas, defendendo políticas públicas interseccionais que integrem saberes ancestrais, garantam direitos territoriais e combatam desigualdades históricas.

Status
Concluído
ID: 81257Total: 41 discursos
#20
Professora de Psicologia Clínica - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio Maria Helena Zamora
Maria Helena Zamora

Professora de Psicologia Clínica - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio

Transcrição automática

Eu agradeço a sua paciência de repetir a questão para mim. A gente tem visto sim, e essa é uma preocupação do Conselho Federal de Psicologia, em pesquisas, em levantamentos. Primeiro, a psicologia chegou com muito atraso à questão do racismo. por mais que a produção seja crescente, ela deve muito ainda. de estudos em relação a essas questões. Não sei se a gente comparar com sociologia, com direito, com enfermagem, com várias áreas, a psicologia ainda precisa entrar muito. muito atrás dessa questão, assim como outros ramos relacionados, como a psicanálise, ou uma série de outros ramos e desdobramentos, ainda precisam tomar que a psicologia como um todo é... mas não quer dizer que em outros lugares isso já não esteja sendo feito, como neurociências, como psicanálise, só que não é o que geralmente é, isso não pode jeito nenhum fazer injustiça, quem está pesquisando o assunto não é a tendência no Brasil, e é o sintoma da negação patológica do racismo, ela não vai deixar de se estender à academia, porque é academia, também é uma instituição da sociedade. Ela atravessa, como eu mencionei, tudo que o racismo atravessa, ela também atravessa. isso tem me dado aflição porque quanto mais a gente vai na literatura vendo o quanto o racismo tem desequilibrado emocionalmente, colocado a graves a saúde, olha que a gente só está falando de saúde mental... né e levando a outros agravos muito maiores, a gente gostaria que a nossa área estivesse mais preocupada e fazendo realmente esforços em relação não só ao letramento racial de sua categoria, como colocando disciplinas obrigatórias, outras disciplinas eletivas, promovendo... muito mais pesquisas e dá alegria também de ver que muitos lugares já estão atendendo a essa, percebendo a importância da questão e atendendo a essa demanda, isso não é um mérito só da academia, Isso é um mérito principalmente da inclusão dos alunos negros na academia. e dos alunos indígenas mais recentemente. E aí eles diziam: "Onde estamos nós aqui?" Não li uma única linha que não fosse da Europa e dos Estados Unidos. Bom, além dessas ações de empreender esse letramento necessário, de promover debates, de convidar pessoas para fazer isso, realmente é preciso, e os conselhos têm feito isso, os conselhos de maneira geral, né, é... A interseccionalidade cada vez mais é vista como um método ou faz parte, ou é considerada por outros métodos, enfim, isso está sendo construído, mas ainda está aquém. E muitas vezes também as instituições de transmissão os grupos não tão formais quanto a academia, ou seja, não é só instância de formação, começam a se conscientizar, mas ainda precisam fazer esse percurso de maneira mais acelerada. Não sei se eu cheguei a responder, se ficou faltando uma parte.

24 de mar, 18:51