CENTRO DE ESTUDOS E DEBATES ESTRATÉGICOS
Sobre o Evento
O evento debateu o Plano Nacional de Juventude, enfatizando que a saúde mental é indissociável de questões socioeconômicas, estruturais e territoriais. Especialistas e parlamentares destacaram a influência do racismo, do patriarcado e da precarização na vulnerabilidade de jovens negros, indígenas e quilombolas, defendendo políticas públicas interseccionais que integrem saberes ancestrais, garantam direitos territoriais e combatam desigualdades históricas.
ANTROPÓLOGO DO DEPARTAMENTO DE PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA - MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, FAMÍLIA E COMBATE À FOME
Presidente Messias, antropólogo lá da Secretaria Nacional de Assistência Social, MDS, no Departamento de Proteção Social Básica. Eu tenho um certo lugar de fala nesse debate que envolve juventudes, no sentido de que eu venho de uma região periférica, lá de Fortaleza, eu cresci na região chamada Dias Macedo. E... e vi de perto, muitas crianças. Fui uma das crianças que cresceu em um ambiente que pra muitos de vocês é um pouco anormal mas pra mim isso é normal né crescendo com com gente que tombava no meio da luta tombava... Enfim, muitas coisas estranhas aconteceram lá no meu bairro, mas... Graças às políticas públicas, a gente vai conseguindo superar essas coisas, a gente sabe da potência que têm as políticas públicas para a juventude. E eu falo de um lugar, de uma política pública que é um pouco transformadora, uma política pública que... se por um lado a saúde cuida daquela daquilo que se diz respeito ao ao patológico, ao corpo, nós temos também a política pública que cuida dos vínculos, que é no caso o Sistema Único da Assistência Social, que é o lugar que eu falo, que é uma política pública que, a partir dos seus equipamentos, é capaz de criar vínculos, produzir vínculos e verificar potencialidades nos seus territórios. E com essas potencialidades, superar... todas as vulnerabilidades que existem naquele território. É uma rede com mais de 60 mil trabalhadores, e mais de 31 mil equipamentos, entre CRAS, CREAS, centros POPs, unidades de acolhimento, centros de convivência. E todos esses equipamentos têm uma potência enorme de transformação social, de uma capacidade ímpar de... mudar a sociedade numa perspectiva territorializada, numa perspectiva É... de proteção social básica, assim como tem atenção básica na saúde, nós temos a nossa proteção social básica, que atua de maneira preventiva e protetiva, nós temos também nossa proteção social especial. E tudo isso é importante porque... Ultimamente, nossos esforços estão sendo avançados para... toda essa questão dos povos e comunidades tradicionais, povos originários e comunidades tradicionais, Tivemos um ano atrás um seminário chamado Caminhos para a Equidade Étnico-Racial dos SUAS, porque não tem como se falar em Sistema Único da Assistência Social sem falar desses povos originários, que eles ensinam muito mais a... a gente em relação a cuidar de vínculo do que a gente com eles muito dessa dessa troca é importante né de que reconhecer e valorizar essas formas de existir nessas formas de cuidar que já existem esses territórios é para isso que nós ultimamente na sna s estamos avançando para essa essa diretriz né de criar um hotel é de esboçar uma política de equidade étnico-racial dentro do sistema único da assistência social porque Toda essa... Nós somos um sistema que, diferente da saúde, nós não temos um... O mínimo obrigatório, né? Então, a gente passa alguns... alguns perrengues, mas... A parte... mas um perrengue maior foi nos últimos seis anos, de 2023 para trás, não preciso dizer nada não. Mas nós tivemos um perrengue danado e... nós passamos por um processo de reconstrução desses sistemas... sistemônico da assistência social e a gente entende muito bem que parte dessa reconstrução tem que ser uma reconstrução descolonizada, uma reconstrução que inclua todas essas formas de ver e existir no mundo de se posicionar com esse reconhecimento dos saberes e pautar com o pilar, é óbvio de enfrentamento ao racismo institucional, né, e... promovendo esses diálogos intergeracionais a gente sabe que ela no caso das juventudes de povos e comunidades tradicionais é a uma dificuldade às vezes de algumas juventudes sim é dessa dessa troca com os mais velhos mas a gente sabe que há várias iniciativas eu Sou lá do Ceará, conheço um pouco da Cristina Quilombola, do Giovanni, conheço uma galera que conduz muito bem esse trabalho junto às comunidades quilombolas, tanto que lá no Ceará também tem um CRAS Quilombola, que é um CRAS totalmente afrocentrado, com atividades bem importantes para o território do Quilombo do Alta Alegre. colocar um pouco desse lugar de fala do sistema único da assistência social como vetor de mudança social, principalmente para essas juventudes. Obrigado. Senhor Messias, doutor.




