COMISSÃO DA AMAZÔNIA E DOS POVOS ORIGINÁRIOS E TRADICIONAIS

8 abr. 2026 14:59 às 17:50

Sobre o Evento

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários realizou um seminário focado na intersecção entre a proteção de territórios indígenas e o enfrentamento das mudanças climáticas. O evento destacou a importância das populações tradicionais como agentes fundamentais para a preservação ambiental do bioma amazônico.

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#25
Representante - Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidadee - ANMIGA Jociele Kaygang
Jociele Kaygang

Representante - Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidadee - ANMIGA

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Boa tarde a todos, boa tarde a todas, boa tarde às parentas, boa tarde a nossas manas, boa tarde à mesa em nome da nossa... Deputada Célia. Eu sou a Jocely Luiz, do território de Mangueirinha, do estado do Paraná. Sou uma mulher indígena, caigangue, do maior território indígena que concentra mata araucária, mata nativa. Né É onde... Esse território, ele me acolhe, me cura. onde descansam os meus ancestrais, assim como os territórios das nossas parentes, assim, falada na mesa, né? Assim como os outros territórios, a gente também tem as nossas lutas diárias, os nossos enfrentamentos, enquanto mulher indígena, em defesa da nossa vida, dos nossos corpos e também dos nossos territórios. Venho aqui ocupar esse espaço juntamente com as nossas irmãs. Aqui eu trago a voz, não só minha, mas de todas as mulheres que estão nos seus territórios, que lutam. todos os dias para manter os seus filhos vivos das que enterram seus parentes, e daquelas mesmo com medo, elas continuam em pé. Nós, mulheres indígenas, estamos na linha de frente. é na defesa da vida e também somos nós que enfrentamos diretamente a violência dos nossos corpos dos nossos territórios, das nossas vidas. nossos corpos se seguem sendo violados todos os dias Nossos territórios seguem sendo invadidos. Nossas crianças seguem crescendo sob ameaça. Isso não pode mais ser tratado como normal. o que está acontecendo com os nossos povos indígenas não é apenas abandono, É um projeto de violência que insiste em nos apagar. Mas nós estamos aqui. Não estamos? sigamos organizadas, sigamos fortes, sigamos resistindo. E hoje, diante desse momento, no Congresso Nacional, que é realizado o quarto seminário sobre direitos dos povos indígenas, de nós, principalmente, mulheres que sofremos todos os dias ataques. Nós deixamos claro aqui... Nós não queremos mais apenas ser convidadas para falar. Nós queremos ser ouvidas. com responsabilidade e respeito. Nós queremos políticas públicas que saiam do papel Nós queremos proteção real nos nossos territórios, nós queremos segurança para as nossas mulheres e meninas nossas crianças, Enfim, todos... todos os nossos povos indígenas, Porque enquanto acontecem esses seminários... Nós estamos vivenciando, nós estamos vivendo as urgências nos nossos territórios. E a urgência tem nome. É a vida dos nossos povos. Nós, mulheres indígenas, não estamos pedindo espaço. Nós estamos ocupando espaço. que sempre foi Nosso Celinha tá ali. Uma mulher guerreira que nos representa muito e nos fortalece todos os dias. porque somos nós mulheres que sustentamos as nossas comunidades somos nós que transmitimos a cultura Somos nós que mantemos ela viva. à espiritualidade e à memória dos nossos ancestrais. É por isso que dizemos: É por isso que falamos: sem mulheres indígenas não existe futuro. Não existe futuro algum para os povos indígenas. E sem os povos indígenas, não existe futuro do planeta. Então hoje... no quarto seminário, nós mulheres, nós meninas, nós indígenas reafirmamos afirmamos e reafirmamos novamente. Com toda a força. Chega de violência. contra os nossos corpos chega de invasões dos nossos territórios chega de omissão do estado Nós queremos viver. Nós queremos existir com dignidade nós queremos continuar sendo quem somos Só queremos ficar viva. E nós não vamos recuar. Porque cada mulher indígena hoje aqui, cada mulher indígena que se levante, carrega junto à força de muitas outras. seguramos nas mãos umas das outras Nós somos sementes que mesmo quando tentam nos arrancar tentam nos matar, nós voltamos a nascer. Nós voltamos a brotar novamente. Pela terra, pela vida... pelas nossas ancestrais pelo futuro nosso. o futuro que são as nossas crianças. A luta das mulheres indígenas é pela vida. Obrigado. e a vida não se negocia E finalizo aqui. agradecendo o convite e trazendo um pouquinho da voz de todas as mulheres indígenas, a minha, das crianças e das meninas que estão nos seus territórios sendo... todo dia violadas. todos os dias elas seguem sendo mortas. A gente segue na luta e a gente segue... Como a gente sempre diz, a gente segue firme contra essa morte que todo dia nos assola. Seguimos... juntas e em defesa dos nossos corpos territórios, como a gente sempre fala. Obrigada. Aplausos.

08 de abr, 17:09